sábado, 2 de maio de 2009
ATIVIDADE DE HISTÓRIA DE MATO GROSSO: GOVERNADORES DO PERÍODO COLONIAL
9 DE MAIO, ANIVERSÁRIO DE MATO GROSSO
No dia 9 de maio é comemorado o aniversário de 261 anos de criação da Capitania de Mato Grosso, atual Estado de Mato Grosso. A comemoração faz parte da Semana de Mato Grosso, instituída pelo decreto nº 7.467, de 24 de abril de 2006.
De acordo com o deputado João Malheiros (PR), autor da Lei, criada no final de 2003, que instituiu 9 de maio como a data de aniversário de Mato Grosso, o Estado é privilegiado pela sua exuberância natural, pela sua produção recorde de grãos e pelo seu rebanho bovino. “Mato Grosso é uma dádiva Divina e terra que originou vultos ilustres como o Marechal Cândido Rondon, patrono das Telecomunicações”, afirmou o deputado. Para ele, tantos os aborígines quanto que para aqueles que para este Estado vieram, gozam de um grande privilégio. O deputado destaca ainda que Mato Grosso promete um futuro feliz promissor para todos que aqui vivem.“Quando industrializar-mos essa nossa produção e tivermos uma boa infra-estrutura logística eu não tenho dúvida de que Mato Grosso será o celeiro do Brasil”, avaliou Malheiros. A Lei que instituiu o aniversário do Estado e determinou que a comemoração não inclui dispensa de trabalho, porém constará de eventos cívicos, educativos e informativos sobre o Estado e da realização, em todas as sedes dos Poderes estaduais e municipais, corporações militares e nos estabelecimentos de ensinos públicos e privados, de programação mínima com o hasteamento da Bandeira de Mato Grosso e a execução do Hino do Estado de Mato Grosso.
Bandeira do estado de Mato Grosso.
Mapa com a divisão política do Brasil no século XVIII.
Brasão de armas do estado de Mato Grosso.Na busca de índio e ouro, Pascoal Moreira Cabral e seus bandeirantes paulistas fundaram Cuiabá a 8 de abril de 1719 num primeiro arraial, São Gonçalo Velho, situado nas margens do rio coxipó e sua confluência com o rio Cuiabá. Em 01 de janeiro de 1727, o arraial foi levado à categoria de vila por ato do Capitão-general de São Paulo, Dom Rodrigo Moreira César de Menezes. Na presença sobre os mineiros, numa obsessão institucional pela arrecadação dos quintos de ouro. Esse fato somado á gradual diminuição da produção das lavras auríferas, fizeram com que os bandeirantes pioneiros fossem buscar o seu ouro cada vez mais longe das autoridades cuiabanas.Em 1734, estando quase despovoada a Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, os irmãos Fernando e Artur de Barros, atrás de índios Parecis; descobriram veio aurífero, o qual resolveram denominar Minas do Mato Grosso, situado nas margens do Rio Galera, no Vale do Guaporé.Os anais de Vila Bela da Santíssima Trindade,escritos de 1754, pelo escrivão da Câmara dessa vila, Francisco Caetano Borges, citando o nome Mato Grosso, assim nos explicam: “Saiu da Vila do Cuiabá Fernando Paes de Barros com seu irmão Artur Paes, naturais de Sorocaba, e sendo o gentio Parecis naquele tempo o mais procurado, cursaram mais do poente delas com o mesmo intento, arranchando-se em um ribeiro que deságua no rio da Galera o qual corre do nascente a buscar o rio Guaporé, e aquele nasce nas fraldas da Serra chamada hoje a Chapada de São franscisco Xavier do Mato Grosso, da parte Oriental, fazendo experiência de ouro, tiraram nele três quartos de uma oitava na era de 1734.’ Dessa forma, ainda em 1754, vinte anos após descobertas as Minas do Mato Grosso, pela primeira vez o histórico dessa minas foi relatado num documento oficial , onde foi alocado o termo Mato Grosso, e identificado o local onde as mesmas se achavam. Todavia, o histórico da Câmara de Vila Bela não menciona porque os irmãos Paes de Barros batizaram aquelas minas com o nome de Mato Grosso.Alguns historiadores citam a denominação Mato Grosso pelo fato óbvio dos irmãos Paes terem se deparado com mata mui-to densa e volumosa, o que provavelmente aconteceu, pois a região do Vale do Guaporé é pródiga nesse tipo de vegetação.
Fonte: Revista Mato Grosso Edição:18 Ano:FEV/ 2004

Produção de soja em Mato Grosso.
ATIVIDADES DE HISTÓRIA DE MATO GROSSO: O FIM DO PERÍODO COLONIAL
HISTÓRIA NA IMPRENSA: Especial: Ana Maria do Couto revolucionou a história da mulher em MT
Uma mulher marcante, de pele morena, olhos castanhos, cabelo preto e bem tratado, capaz de silenciar a conversa mais animada apenas com sua presença. Esta era Ana Maria do Couto May, de beleza e medidas impressionantes, bem distribuidas em 1,67 de altura. O corpo escultural estava sempre acompanhado de um sorriso bem aberto e verdadeiro. A inteligência, a espontaneidade a comunicação fácil e a determinação desta 'Maria' são características que marcaram para sempre a memória de quem a conheceu. Quase 40 anos depois de uma morte prematura, todos aqueles que tiveram o privilégio de ver Maria do Couto, não esquecem um só detalhe. "Ao lado de Ana Pinheiro e Maria Nazareth, Maria do Couto sacudiu Cuiabá", confessou o radialista Eugênio de Carvalho.
Esta é a terceira matéria da série 'Marias de MT', produzida pelo site da TV Centro América em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no sábado, dia 8 de março. As duas reportagens anteriores contaram um pouco da história de outras duas mulheres que tiveram papel importante na cultura e história do Estado: Maria Benedita Deschamps Rodrigues, a Dunga Rodrigues, e Maria de Arruda Müller. Clique nas imagens acima para conferir as matérias anteriores.
A crítica masculina chegava a compará-la a uma estrela do cinema. Ela sempre foi muito elegante. Vestia as roupas mais modernas e ousadas da época, substituia as blusas comuns por camisas femininas bem cortadas e usava bons perfumes. O comportamento mostrava uma mulher com visão de futuro, de outros tempos que viriam para confirmar a liberdade feminina e as conquistas sociais das mulheres.
Ana Maria do Couto era cohecida como "May", uma forma carinhosa de pronunciar Maria. Ela foi a primeira em várias conquistas para as mulheres, como por exemplo, a primeira a ocupar a presidência da Câmara de Cuiabá e pioneira na presidência de um time de futebol. Mas as marcas registradas foram a ousadia, determinação e visão de mundo. Para o jornalista Paulo Zaviaski, que foi aluno e amigo pessoal de May, ela é um mito da história mato-grossense.
Em meados dos anos 40, quando as mulheres sequer ousavam mostrar os joelhos, Ana Maria do Couto comandava as aulas usando uma bermuda bem curta. Um escândalo para aqueles tempos, mas ela conseguia se impor de tal maneira que ninguém ousava tecer qualquer comentário. Sua firmeza e imponência eliminavam qualquer reação, tanto dos estudantes quanto dos superiores. "Ela era única e conquistou isso com inteligência e firmeza de conduta", disse Zaviaski. Ana Maria do Couto era adiantada para a época.
A revolução cuiabana que surgiu na escola
Ana Maria do Couto era considerada uma mulher moderna e avançada já nos anos 40, quando começou a viver os anos mais intensos de sua vida, desenvolvendo diversas atividades. Ela nasceu no dia 13 de setembro de 1925. A determinação e a coragem de uma mulher à frente do seu tempo permitiu que ela abrisse caminho e conquistasse espaços importantes para as mulheres na sociedade. Destaque para as áreas de política, finanças, comunicação, direito e, principalmente, esporte, uma das suas grandes paixões.
Incentivadas por Ana Maria do Couto, as adolescentes cuiabanas já jogavam futebol na década de 40. Os jogos eram realizados no campinho do Colégio Estadual de Mato Grosso, que hoje se chama Escola Estadual Liceu Cuiabano - Maria de Arruda Müller. O gramado ainda hoje cobre o espaço que fica nos fundos do colégio. Foi durante as aulas de educação física da professora Maria do Couto que alunas como Eda Baracat da Silva e Sarita Baracat de Arruda, além de outras amigas de escola da época, aprenderam a jogar e gostar de futebol. As aulas para as meninas e os meninos eram separadas, mas a agitação era total nas atividades femininas. Futebol e atletismo eram modalidades sempre presentes durante as práticas esportivas comandadas pela professora.
O gosto pelo esporte foi determinante na escolha da primeira faculdade. Em 1944 ela se formou em Educação Física, na cidade do Rio de Janeiro. A partir de 1945 assumiu a vaga de professora da disciplina no Colégio Estadual de Mato Grosso. Entre 1946 e 1948, vários estudantes caminhavam de Várzea Grande a Cuiabá para estudar no colégio onde ela dava aulas. A dedicação da professora despertou a preferência dos estudantes. As aulas de educação física eram diferentes e especiais no Colégio Estadual de Mato Grosso (Liceu Cuiabano).
"Ana Maria era comunicativa, carinhosa. Era uma professora maravilhosa. Eu aprendi muito com ela. Me lembro da voz rouca e firme durante as aulas. Jogávamos até futebol! Nós tinhamos duas aulas com ela por semana", contou Sarita Baracat ao site da TV Centro América. A aluna foi influenciada pela professora. Após o ensino médio, a estudante também se tornou professora, formou-se em advocacia, entrou na carreira política se tornando vereadora e prefeita de Várzea Grande, e nunca mais abandonou o futebol. Sarita Baracat foi secretária da equipe do Operário por mais de 15 anos. Ainda hoje, 60 anos depois das aulas da professora que marcou sua adolescência, Sarita tem participação em eventos sociais e movimentos políticos do município. Uma lição que foi seguida à risca por Ana Maria do Couto, um exemplo de vida para mostrar a sociedade qual é o lugar das mulheres: o mesmo ocupado pelos homens. Suas conquistas mostravam que as mulheres ganhariam espaço e reconhecimento nas próximas décadas. Era um presságio das transformações que a sociedade vivenciaria a partir dos anos 70.

Educação para uma vida intensa
Ana Maria do Couto May tinha convicção de que a educação era uma das formas para tornar a sociedade mais justa e democrática. Após se tornar professora de Educação Física buscou formações em outras áreas. Se dedicou também à História e adquiriu profundo conhecimento nesse campo. Em 1951 diplomou-se no curso de Extensão Universitária em História, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, ela conquistou mais um diploma, desta vez em contabilidade depois de formar na Escola Técnica de Comércio de Cuiabá.
A partir de 1952, May também se dedicou à comunicação. Foi a primeira locutora noticiarista de Mato Grosso. Na Rádio Voz D'Oeste, ao lado de Augusto Mário Vieira, comandava o programa "Bandeirantes no Ar". Além de apresentar o programa ela também era responsável pelos comentários políticos. O programa marcou época no rádio. Este envolvimento aguçou o gosto pela política. Ana Maria do Couto sempre participou ativamente das reuniões políticas, de clubes de serviço e da produção de todos os grandes eventos realizados na capital. A popularidade dela a levou à Câmara Municipal da capital em 1965. Além de vereadora pelo PTB, May também foi presidente da Câmara, a primeira mulher a ocupar o cargo no estado.
Neste período ela também já havia concluído o curso de Direito. May foi uma das primeiras alunas do curso de Direito de Cuiabá. A formatura ocorreu em 1963. Com a formação nessa área ela se inscreveu e foi aprovada no concurso para a Promotoria da Auditoria da Polícia Militar de Mato Grosso. A entidade, até então exclusivamente masculina, passou a contar também com uma mulher. A partir de 1966, Ana Maria do Couto foi nomeada promotora de Justiça Militar de Mato Grosso. Neste período também exerceu o cargo de assistente da Legião Brasileira de Assistência.
A partir de 1969 ela se licenciou de cargos públicos. Surgiram os primeiros sinais da doença, o câncer. Mas a lembrança dos tempos do rádio trouxeram novo ânimo quando Ana Maria viu a chegada da televisão em Cuiabá. O ano de 1969 foi marcado pela inauguração da TV Centro América na capital. Vários profissionais da comunicação descobriram a magia da TV, inclusive "May", que se tornou colaboradora do programa Galeria de Vultos Ilustres. O registro de jornalista autônomo foi efetivado em 1970.
A primeira mulher a presidir um time de futebol
Ana Maria foi sempre surpreendente. Não se importava para o que todos achavam desta ou daquela atitude, mas com a importância e o espaço que a mulher poderia conquistar na sociedade. O comportamento irreverente permitiu diversas conquistas, até então impossíveis para as mulheres. O esporte a colocou na presidência do clube de futebol Dom Bosco. De acordo com jornalistas, a primeira mulher a ocupar o cargo no Brasil. Com uma mulher no comando, o Dom Bosco se transformou em um dos maiores times do estado. Fora do campo a personalidade dela era notada na administração do clube. Durante o período que esteve na presidência, entre 1969 e 1971, as principais festas de Cuiabá foram ralizadas no clube Dom Bosco. "Eram eventos concorridos, freqüentados pela elite da capital. Ela estava à frente de tudo, na organização, na recepção. Gostava de acompanhar todos os detalhes pessoalmente", contou Paulo Zaviaski. May construiu sua casa bem próximo do clube do coração.
Antes de chegar à presidência ela passou por várias diretorias do clube. O conhecimento para organizar as festas não era apenas teórico, mas sim uma questão de prática. Os 46 anos de vida de 'May' foram bem vividos. Assim como a vida, os momentos de lazer também eram intensos. Contrariando o machismo da época, aquela mulher bonita poderia ser vista nos bares mais badalados da capital. Para ela tomar uma cerveja bem gelada de vez em quando não era nenhum pecado. E para animar a roda de amigos um bom jogo de cartas.
O privilégio de namorar com Ana Maria do Couto foi para poucos rapazes. Os homens não estavam ainda adaptados a uma mulher tão forte, capaz de resolver sozinha todo e qualquer problema. Uma mulher de tanta personalidade com uma vida tão agitada assustava. May não se casou e também não teve filhos. Mas ela sempre teve todo o apoio da família, por sinal muito unida. Em grande parte, formados em direito, a família tem tradição na área de segurança. Além de Ana Maria do Couto, grande parte da família tem atuação destacada na segurança pública.
"A liberdade feminina de hoje não pode ser comparada ao momento vivido por May. Ela era inteligente, ousada, firme, determinada, e ao mesmo tempo meiga, sutil, elegante, líder, qualidades raras de serem encontradas em uma única mulher", explicou Zaviaski.
Uma das últimas festas que May organizou e participou foi a comemoração dos 250 anos de Cuiabá, em 1969. O aniversário da capital foi comemorado com um bolo gigante. Apesar de ter nascido em uma família de classe média ela sempre foi muito popular e sempre teve bom realacionamento com as famílias pobres. No dia 8 de abril de 1969 as principais ruas da capital foram tomadas pela multidão a festejar o aniversário de Cuiabá.
Bastante doente, no final de 1970, a vida de Ana Maria do Couto teve um contraste. A mulher sorridente sempre muito determinada se abateu com a dor do câncer. O prazer de viver foi sufocado pelo sofrimento. Ela preferiu o silêncio e o aconchego de casa. Os últimos meses de vida podem ser considerados como um momento de clausura. No dia 17 de outubro de 1971 o corpo não agüentou e Maria do Couto morreu, vítima de câncer.
A capital parou para acompanhar o velório. Amigos, familiares, ex-alunos, colegas de trabalho, todos acompaharam com tristeza o fim de uma vida tão intensa aos 46 anos de idade.
O reconhecimento a mais uma Maria inesquecível na história de Mato Grosso pode ser notado nas homenagens expostas em prédios publicos, praças e escolas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Cuiabá, por exemplo, a segurança pública deu o nome dela ao presídio feminino. A cidade de Barra do Bugres a homenageou dando o nome de May ao prédio da Promotoria de Justiça e, em Campo Grande (MS), um conjunto habitacional rende homenagens a Ana Maria do Couto.
HISTÓRIA NA IMPRENSA: MARIA ARRUDA MÜLLER

O amor à educação é a mais importante lição ensinada por Maria de Arruda Müller. A professora dedicou 76 anos da sua vida aos estudantes cuiabanos. Só deixou as salas de aulas aos 96 anos, com problemas de saúde. Nesse ano de 2008 ela completaria 110 anos de idade.
A escritora, professora e poetiza Maria Muller nasceu em Cuiabá, no dia 9 de dezembro de 1898. Aos cinco anos ela já estava alfabetizada. É descendente da família Arruda, uma das mais tradicionais da cidade. Filha do coronel João Pedro de Arruda e de Adelina Ponce de Arruda, e neta de Generoso Ponce, um dos políticos mais atuantes no século XIX.
Confira uma galeria de imagens de Maria Müller
Maria foi inovadora como ativista cultural. Fundou em 1919 a primeira revista feminista mato-grossense, A Violeta, que circulou na primeira metade do século XX, com cunho patriótico. Assinava a publicação usando pseudônimos como Mary, Chloé, Vampira, Consuelo, Sara, Lucrecia, Ofélia e Vespertina.
Ela foi comprometida com o social. Criou o Abrigo dos Velhos e o das Crianças. Foi também esposa, mãe e avó. Em abril de 1919, casou-se com o primeiro interventor do Estado, Júlio Strubing Müller; teve sete filhos, 23 netos e mais de 50 bisnetos.
Como escritora, publicou em 1972 o livro 'Família Arruda'. Anos depois, em parceria com a amiga, musicista e poetiza Dunga Rodrigues, escreveu "Cuiabá ao longo de 100 anos". Uma outra obra de sucesso foi lançada em comemoração ao centenário de Maria Müller. No ano de 1998 foi publicado "Sons Longíncuos", uma coletânea de poemas da professora.
Os livros e revistas de autoria de Maria Müller a levaram a romper preconceitos. Maria foi a primeira mulher a entrar na Academia Mato-grossense de Letras (AML), em 1930. Ela ocupou a cadeira de número sete. Sua atuação rendeu-lhe uma outra importante homenagem: um dos colégios mais tradicionais de Cuiabá, o Liceu Cuiabano, foi rebatizado como Maria de Arruda Müller.
A professora não está mais entre nós. Partiu às 10h do dia 4 de dezembro de 2003. Morreu vítima de um infarte, em um hospital da capital.
No último ano de vida, ela recebeu a maior homenagem da sua história. Por ter sido a professora mais antiga do Brasil, o Ministério da Educação entregou-lhe, em 2002, como prêmio a comenda de Ordem Nacional do Mérito Educativo, grau de Grande Oficial. Essa comenda prestigia personalidades que prestaram serviços excepcionais à educação.
HISTÓRIA NA IMPRENSA: DUNGA RODRIGUES
Maria Benedita Deschamps 'Dunga' RodriguesEm uma quarta-feira, no dia 15 de julho de 1908, nasceu em Cuiabá Maria Benedita Deschamps Rodrigues. 'Dunga', como ficou conhecida, tornou-se professora, musicista, historiadora e escritora. Era sinônimo de cultura e foi uma das mulheres que mais se destacaram em Mato Grosso no século passado. Seus livros lhe renderam uma cadeira na Academia Mato-grossense de Letras, local que à época era freqüentado majoritariamente por homens. Ela ocupou por muitos anos a cadeira número 39 da Academia.
Dunga Rodrigues deu aulas de francês e, principalmente, de música. Promoveu recitais, formou muitos músicos na capital e escreveu diversos livros sobre a cultura e história de Cuiabá e Mato Grosso. Também foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado, do Centro de Música Brasileira do Estado de São Paulo e integrou a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.
João Carlos Vicente Ferreira, na Enciclopédia Ilustrada de Mato Grosso, elenca os livros publicados por Dunga Rodrigues: Reminiscência de Cuiabá (1969); Lendas de Mato Grosso (1977); Os Vizinhos (1977); Marphysa (1981); Cuiabá: Roteiro de Lendas (1984); Uma aventura em Mato Grosso (1984); Memória Musical de Cuiabá (1985); Cuiabá ao longo de cem anos (1994); Movimento musical em Cuiabá (2000); Colcha de Retalhos (2000).
Lembranças
Dunga teve papel fundamental na cultura cuiabana. Contadora de histórias e autora de livros sobre a cultura e folclore da região, publicou vários trabalhos sobre o tema. O poeta Airton Reis lembra com carinho da cuiabana Dunga. "Na ocasião de sua nonagésima primavera, escrevemos e publicamos 'Os Noventa Anos de Dunga Rodrigues'. Foi o nosso primeiro contato literário com Maria Deschamps, a nossa 'Dunga'", diz Reis.
O poeta recorda os momentos que passou ao lado de Dunga, dividindo palcos, recitando poesias e associando estrofes e partituras. "Conjugamos o verbo amar livre das amarras e das barreiras da idade", afirma, rememorando as apresentações que fizeram juntos. Ele ressalta que pretende lançar ainda este mês um ensaio literário em que costa, em sumário, o texto "Carta para Dunga Rodrigues".
Em maio de 2002, a artista plástica e artesã Maria Aparecida Acosta lançou um livro sobre a vida de Dunga. As páginas do livro foram preenchidas com conversas que Maria Aparecida teve com Dunga ao longo de um ano. "Fiz uma exposição e a Dunga foi. Fizemos amizade e decidi escrever o livro com autorização dela", disse Acosta ao site da TV Centro América. O livro contou um pouco da vida da cuiabana. "Dunga era muito alegre, muito comunicativa. Ela deixou um legado cultural muito grande nos livros e na música", lembra a autora.
Adeus
A cuiabana Dunga Rodrigues, no entanto, não chegou a ver o livro pronto. Ela morreu no Dia de Reis, 6 de janeiro, de 2002. Estava em Santos (SP) onde se recuperava de problemas cardíacos que a levaram a ser internada dias antes. Dunga chegou a receber alta e passou a ser acompanhada pela família, mas o quadro dela se agravou e Maria Deschamps Rodrigues morreu. O corpo dela foi cremado em Santos e as cinzas trazidas para Cuiabá, onde foram enterradas. Caso ainda estivesse viva, Dunga completaria 100 anos em julho de 2008.
HISTÓRIA NA IMPRENSA: Especial: Maria Taquara afrontou a sociedade e foi imortalizada em ferro e concreto
Personagem controversa, que enfrentou preconceitos e afrontou as normas da sociedade tradicionalista das décadas de 30 e 40 em Cuiabá.Maria Taquara é figura presente nos livros cultura regional. Ela não fez nenhum ato patriótico, não combateu na guerrilha e nem governou nenhuma cidade. Ela simplesmente existiu e desde então enche de graça o imaginário daqueles que vivem ou passam por Cuiabá. Mulher, pobre e negra. Maria Taquara sempre soube que a vida não seria fácil, ainda mais em uma sociedade conservadora. Mas foi neste contexto histórico que Taquara se transformou em uma lenda na cultura local.
Contraventora das normas vigentes de então, Maria Taquara foi a primeira mulher a abolir as saias. Ela viu na calça comprida a sua marca registrada. Naqueles tempos, a calça comprida só era utilizada pelos homens. Era peça exclusiva do vestuário masculino. No entanto, Maria não pensou duas vezes em usar a peça durante suas andanças pelas ruas de Cuiabá. Dizem alguns historiadores que ela causou escândalo à sociedade por seus hábitos. Não era proposital. Foi a necessidade que a levou a usar roupas mais resistentes para a labuta nos córregos e rios da capital. Maria era lavadeira.
"Maria Taquara, Maria meu bem."
Tinhosa, sisuda, esperta, suja, maltrapilha, negra, horrenda e desembaraçada. Qualificativos ou não, estes são alguns dos adjetivos que a história cuiabana tratou de injetar em Maria Taquara. Foi o biotipo, alta e magra, que lhe rendeu o apelido de Taquara. E a história ainda reservou outros capítulos para a personagem lendária. Taquara morava em uma cabana localizada no bairro Goiabeiras. Ela residia mais precisamente nos fundos do 44° Batalhão do Exército. Nesse período, as más línguas contam que Maria Taquara não rejeitava o carinho dos aspirantes ao Exército. Desta constatação, ela ficou assim denominada: "de dia Maria Taquara e, de noite, Maria meu bem".
As andanças de Maria pelas ruas da capital davam um sabor a mais na vida de comerciantes e trabalhadores da região central, que a conheceram. Por trás da lata d’água na cabeça e do pé descalço havia uma denúncia social. Maria representou em cenas da vida real a marginalização de uma grande parcela da sociedade cuiabana que estava alheia ao processo de transformação social que vigorou fortemente em meados dos anos 50, em Cuiabá.
A lata de querosene sempre vazia era mais um símbolo de que aquela gente encarnada por ela queria melhorar de vida. Indignada ou até avessa ao processo histórico, Maria recorria a longos momentos de abstração com seu cigarro de palha, debaixo das árvores de Cuiabá. Foram muitos estes momentos registrados por alguns que confessam ter visto Maria desta forma. Para o poeta e membro da Academia Mato-grossense de Letras Moisés Mendes Martins, Taquara se tornou uma lenda. "Eu cheguei a conhecer Maria Taquara pelas ruas de Cuiabá. Era uma figura e tanto. Alta, magra, pele negra e cabelos esvoaçados", confirma o poeta.
Homenagem
Mas quando Maria deixou de perambular pelas ruas de Cuiabá? Não há registros na história local que comprovem o desaparecimento de Taquara. O que existe são alguns depoimentos de pessoas mais próximas a ela, mas que nada acrescentam. Talvez a atemporalidade presente na história de Maria explique a sensação de que ainda teremos a oportunidade de conhecê-la durante suas andanças pelas ruas da capital.
Depois de chegar às páginas dos livros de cultura regional em Mato Grosso, Maria Taquara foi homenageada com uma praça em Cuiabá. Hoje Taquara não caminha como antes pelas ruas e becos. Ela está em pé e descalça sobre uma estrutura de concreto no centro da cidade. Seu corpo é metálico, formado por uma estrutura de ferro forjado que pesa mais de 300 quilos. Segura de si, Maria está de olhos arregalados. É o espanto com tanto barulho e movimento de pessoas que passam apressadamente à sua volta. A velha trouxa de roupas na cabeça ainda é presente. São as marcas de um tempo que não volta mais.
Maria como Taquara. Taquara como Maria. Indissociáveis, estas figuras marcaram a cultura regional simplesmente porque foram únicas. Moisés Martins, em um poema, presta homenagem à cuiabana:
"A sua presença é necessária sim!Maria Taquara, Maria Mulher, ou Maria,Pois desmascaras esta sociedade vaziaDe amor, hipócrita, promíscua e de festim!
(..) Aqueles que tratavam com desdém,Cujos espíritos eram mendigos e de tara,Para eles, de dia eras Maria Taquara,Entretanto, à noite eras Maria Meu Bem!"