sábado, 2 de maio de 2009

HISTÓRIA NA IMPRENSA: DUNGA RODRIGUES

Maria Benedita Deschamps 'Dunga' Rodrigues
Em uma quarta-feira, no dia 15 de julho de 1908, nasceu em Cuiabá Maria Benedita Deschamps Rodrigues. 'Dunga', como ficou conhecida, tornou-se professora, musicista, historiadora e escritora. Era sinônimo de cultura e foi uma das mulheres que mais se destacaram em Mato Grosso no século passado. Seus livros lhe renderam uma cadeira na Academia Mato-grossense de Letras, local que à época era freqüentado majoritariamente por homens. Ela ocupou por muitos anos a cadeira número 39 da Academia.
Dunga Rodrigues deu aulas de francês e, principalmente, de música. Promoveu recitais, formou muitos músicos na capital e escreveu diversos livros sobre a cultura e história de Cuiabá e Mato Grosso. Também foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado, do Centro de Música Brasileira do Estado de São Paulo e integrou a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.
João Carlos Vicente Ferreira, na Enciclopédia Ilustrada de Mato Grosso, elenca os livros publicados por Dunga Rodrigues: Reminiscência de Cuiabá (1969); Lendas de Mato Grosso (1977); Os Vizinhos (1977); Marphysa (1981); Cuiabá: Roteiro de Lendas (1984); Uma aventura em Mato Grosso (1984); Memória Musical de Cuiabá (1985); Cuiabá ao longo de cem anos (1994); Movimento musical em Cuiabá (2000); Colcha de Retalhos (2000).
Lembranças
Dunga teve papel fundamental na cultura cuiabana. Contadora de histórias e autora de livros sobre a cultura e folclore da região, publicou vários trabalhos sobre o tema. O poeta Airton Reis lembra com carinho da cuiabana Dunga. "Na ocasião de sua nonagésima primavera, escrevemos e publicamos 'Os Noventa Anos de Dunga Rodrigues'. Foi o nosso primeiro contato literário com Maria Deschamps, a nossa 'Dunga'", diz Reis.
O poeta recorda os momentos que passou ao lado de Dunga, dividindo palcos, recitando poesias e associando estrofes e partituras. "Conjugamos o verbo amar livre das amarras e das barreiras da idade", afirma, rememorando as apresentações que fizeram juntos. Ele ressalta que pretende lançar ainda este mês um ensaio literário em que costa, em sumário, o texto "Carta para Dunga Rodrigues".
Em maio de 2002, a artista plástica e artesã Maria Aparecida Acosta lançou um livro sobre a vida de Dunga. As páginas do livro foram preenchidas com conversas que Maria Aparecida teve com Dunga ao longo de um ano. "Fiz uma exposição e a Dunga foi. Fizemos amizade e decidi escrever o livro com autorização dela", disse Acosta ao site da TV Centro América. O livro contou um pouco da vida da cuiabana. "Dunga era muito alegre, muito comunicativa. Ela deixou um legado cultural muito grande nos livros e na música", lembra a autora.
Adeus
A cuiabana Dunga Rodrigues, no entanto, não chegou a ver o livro pronto. Ela morreu no Dia de Reis, 6 de janeiro, de 2002. Estava em Santos (SP) onde se recuperava de problemas cardíacos que a levaram a ser internada dias antes. Dunga chegou a receber alta e passou a ser acompanhada pela família, mas o quadro dela se agravou e Maria Deschamps Rodrigues morreu. O corpo dela foi cremado em Santos e as cinzas trazidas para Cuiabá, onde foram enterradas. Caso ainda estivesse viva, Dunga completaria 100 anos em julho de 2008.



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