quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Prof. Edenilson Morais explica a importância do trabalho escravo no processo de colonização do Brasil e seus desdobramentos na Capitania de Mato Grosso.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Henrique e Claudinho
Festa de Santo
Composição: Moisés Martins e Pescuma
Festa de santo sem bolo,
Sem flor, sem Zé
É altar sem santo
Coração sem fé
Com Zé, com bolo e com flor
Festa de santo em Cuiabá é feriado
No arrasta-pé, lava São João e pau de sebo
Levanta poeira, mela-cueca e rasqueado
Vamos dançar, vamos fofar e rebuçar
Zé Bolo Flor já deu a ordem
Quer todo mundo, todo mundo a rasquear
Quer todo mundo, todo mundo a rebuçar
Eu vim, eu vim, eu vimEu vim de lá prá cá
Eu sou, eu sou, eu sou
Eu sou de Cuiabá
Mineiros chegam ao Guaporé

Em busca de novas jazidas
As lavras cuiabanas não eram, como em Minas Gerais, exploradas com técnicas ou instrumentos sofisticados, pois o ouro, sendo de aluvião, era extraído de forma muito rudimentar. Assim, os mineiros mais afoitos, na ânsia de encontrar ouro em maior profusão, deixavam Cuiabá, seguindo rumos diversos. Dessa movimentação, foram descobertas outras jazidas de menor proporção, responsáveis pelo povoamento de área a Oeste que, pelo Tratado de Tordesilhas, não pertenceria oficialmente a Portugal:
Lavras do Rio Galera (1734) - nos sertões dos índios Paresi - conquista dos irmãos Paes de Barros;
Lavras de Santana (1735) - atual Nortelândia - descoberta pelos irmãos Paes de Barros e Fernan­des de Abreu;
Lavras do Brumado e Corumbiara - Guaporé - pelos irmãos Paes de Barros;
Minas do Alto Paraguai (1747) - Alto Paraguai e Diamantino;
Lavras de Santana e São Francisco Xavier (1751) - Guaporé.

Segundo Paulo Pitaluga Costa e Silva (2000), para chegar ao rio Galera, no Vale do Guaporé, onde encontraram novo veio aurífero, os mineiros se depararam com uma mata espessa, formada de grossas e altas árvores. Impressionados com o porte das árvores, o emaranhado da vegetação que dificultava a penetração e a exuberância da floresta, denominaram a região de Mato Grosso.

A movimentação da fronteira humana terminou por fixar limites geográficos, pois a ocupação desses territórios deu garantia de sua posse a Portugal. Como resultado, as fronteiras portuguesa e espanhola terminaram por se encostar na região do rio Guaporé, que se avizinhava com o Vice-reino do Peru, próximo a Santa Cruz de la Sierra, capital de Chiquitos. A Coroa portuguesa, considerando a distância das minas descobertas no extremo Oeste da Capitania de São Paulo, resolveu criar uma nova: a de Mato Grosso, através da Carta Régia de 9 de março de 1748, nomeando, para governá-la, um nobre lusitano, D. Antônio Rolim de Moura.


Mapa do século XVIII, mostrando a capitania de Mato Grosso e seus limítes territoriais
Trecho da “Carta Patente” nomeando Dom António Rolim de Moura como capitão-general de Mato Grosso
Dom João V, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'aquém e d'além mar em África, Senhor de Guiné e da conquista, navegação e comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e índia, faço saber aos que esta minha Carta Patente virem, que tendo consideração às qualidades, merecimentos e serviços que concorrem na pessoa de D. António Rolim de Moura, e a que dará inteira satisfação a tudo o que lhe for encarregado do meu serviço, conforme a confiança que dele faço; hei por bem de nomear como pela presente nomeio no cargo de governador e capitão-general da Capitania de Mato Grosso, por tempo de três anos, e o mais enquanto lhe não mandar sucessor, com o qual haverá o soldo de doze mil cruzados cada ano, pagos na forma das minhas ordens, e com o mesmo cargo gozará de todas as honras, poderes, mando, jurisdição e alçada que têm de que usam os governadores do Rio de Janeiro e do mais que por minhas ordens e instruções lhe for concedido, com subordinação somente ao vice-rei e capitão-general de mar e terra do Estado do Brasil, como o tem os governadores dele [...].
Fonte: Carta... (1988)

Antes de partir para o Brasil, o primeiro governador da Capitania de Mato Grosso recebeu, das mãos da rainha Mariana da Áustria, esposa do adoentado rei português, D. João V, uma série de instruções, que lhe serviram de orientação no encaminhamento das questões regionais. Constituída de 26 artigos, podem ser destacados os seguintes pontos:
Fundar a capital da nova Capitania no vale do rio Guaporé.
Fundar uma aldeia jesuítica para os índios mansos.
Incentivar a criação de gado (vacum e cavalar).
Conceder privilégios e isenções de impostos àqueles que desejassem residir nas imediações da nova capital.
Construir, na nova capital, residência para os capitães-generais.
Agir com muita diplomacia nas questões de fronteira, evitando entrar em confronto aberto com os espanhóis.
Tomar cuidado com os ataques dos índios bravios, especialmente os Paiaguá e Guaicuru.
Fornecer informações mais precisas sobre a capitania recém-criada, seus limites e potencialidades.
Proibir a extração e comercialização de diamantes.
Criar uma Companhia de Ordenanças.
Incentivar a pesca no rio Guaporé.
Informar sobre a viabilidade de comunicação fluvial com a Capitania do Grão-Pará.

Fonte: SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. História de Mato Grosso: Da ancestralidade aos dias atuais. Mineiros chegam ao Guaporé. p. 40-1. Cuiabá: Entrelinhas, 2002.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Estátua em homenagem a Maria Taquara é reinaugurada
Após a queda em julho deste ano, finalmente a estátua foi recolocada no centro da capital.


Após quatro meses da queda, espera e reforma, a estátua em homenagem a Maria Taquara foi recolocada no centro da capital. A reinauguração ocorreu na manhã desta quinta-feira.
O temporal ocorrido no dia 11 de julho deste ano, fez com que o monumento que já existia há alguns anos caísse com a força do vento. Após a queda a estrutura foi restaurada pelo artista plástico Fred Fogaça, todo o trabalho de restauração custou R$ 5 mil.


Maria Taquara.



O estilo de vida libertário desta mulher negra se tornou parte da história de Mato Grosso. Por volta da década de 40 apareceu perambulando pelas ruas da cidade, uma mulher negra, magra, alta, quase sem seios, cabelos encrespado, pele morena do sol, de sotaque nordestino, aparentava ter a época entre 25 a 27 anos de idade. Era tão esguia que parecia uma palmeira, por isso a apelidaram de "Taquara”. Foi encontrada morta na década de 50, em seu barraco, já em adiantado estado de putrefação. O artista plástico Haroldo Tenuta, cuiabano de nascimento e mineiro de coração, residiu desde a década de 40 em Belo Horizonte. Após conhecer Maria esculpiu sua imagem em bronze, cuja escultura se encontra na pequena praça no centro de Cuiabá, que leva o seu nome. A figura mitológica de Maria Taquara é um bom exemplo de como uma pessoa do povo, simples, pode chamar a atenção e se tornar um ícone, ela fugia aos padrões da época. Foi a primeira mulher a usar calça em Cuiabá, lavava roupas e andava com uma mala na cabeça. Maria morava em uma tapera próxima ao quartel. E se transformou em figura folclórica na cidade.Considerada símbolo na luta pela igualdade de direitos Maria Taquara era uma mulher negra de fibra que rompeu barreiras e foi ousada, tanto é que foi a primeira mulher a deixar a saia de lado para usar calça cumprida. Maria Taquara era lavadareira de roupas as margens do córrego da Prainha.
Maria Taquara ou "Maria meu Bem" é uma figura presente nos livros de cultura regional. Dona de uma forte personalidade, Maria ficou conhecida por ser a primeira mulher a abolir as saias. A calça comprida foi sua marca registrada, pois naquele tempo a calça era exclusiva para os homens. Taquara deixou como herança vários capítulos da sua história, que enriqueceu a cultura mato-grossense. Depois de chegar às páginas dos livros de cultura regional, Maria Taquara foi homenageada com uma praça no centro da capital.
Município surgiu para garantir posse de terra à Coroa Portuguesa
Fonte: Nelson Urt/Assessoria de Comunicação em 02 de Setembro de 2009
A história de Ladário, situada à margem direita do rio Paraguai, faz parte do contexto de defesa do sul da então Capitania de Mato Grosso contra a invasão espanhola. A região tinha por habitantes apenas aborígenes, mas já por volta do século XVI o rio Paraguai serviu de passagem para alguns desbravadores que tiveram por objetivo a exploração e a conquista de serras minerativas das áreas do oeste, mais propriamente o Peru. Provenientes de Santa Catarina, chegaram Aleixo Garcia, em 1524, Juan de Ayolas, em 1538, Álvaro Nuñes Cabeza de Vaca, em 1542 e 1543, e Domingos Martins Irala, em 1546. Vieram em busca do ouro, seguindo descrição do informante João Dias Solis. Constituíram-se nos primeiros bandeirantes, de que se tem notícia, a passarem pela região.
As leis criadas para garantir posses de terras portuguesas e espanholas são importantes para entender o contexto histórico em que se deu a fundação de Ladário. A primeira lei histórica esteve representada no Tratado de Tordesilhas, instituído pelo papa Alexandre VI, na condição de mediador, em 07 de junho de 1494. Consistia em uma linha meridional do pólo norte ao pólo sul, para contemporizar os interesses de Portugal e da Espanha. Surgiu depois o Tratado de Madri, assinado no dia 13 de janeiro de 1750, sob os auspícios de D.João V, Rei de Portugal, e D.Fernando VI, Rei da Espanha, substituindo o de Tordesilhas.
Em seguida, surgiu o Tratado de El Pardo, em 12 de fevereiro de 1761, com o objetivo de restabelecer o Tratado de Tordesilhas. Nesse período assumiu o cargo de 4º Capitão Geral de Mato Grosso o então Coronel Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, em 13 de dezembro de 1772. No dia 1º de outubro de 1777 firmou-se o Tratado de Santo Ildefonso, nos moldes do Tratado de Madri, pondo fim às determinações de Tordesilhas. Para sua execução foram criadas três comissões demarcatórias compostas por geógrafos, astrônomos, desenhistas, médicos e outros profissionais. Luiz de Albuquerque integrava uma dessas comissões que cuidava dos interesses de Mato Grosso.
Luiz de Albuquerque estava se restringindo à manutenção do Forte do Príncipe da Beira, obra que havia concluído após ser iniciada por Dom Antônio Rolim Tavares, o Conde de Azambuja, quando foi comunicado que o tratado em vigor estava sendo violado pelos espanhóis. Então, Albuquerque voltou-se à defesa imediata das fronteiras do baixo Paraguai e contratou os serviços do sertanista João Leme do Prado para se instalar na região. João Leme do Prado não pode se instalar na área de Corumbá devido a “ausência de terreno adequado para construir casas e plantar roças, e mesmo de lenha e palha para acender fogo”. Seguiu para Coimbra, mas no meio do caminho, surpreendido por uma ventania, atracou sua embarcação no porto de Ladário. E ali observou que Ladário era o ponto ideal para se fixar, tudo o que necessitava havia no lugar. No dia 02 de setembro de 1778 João Leme do Prado desembarcou no porto com todo o seu pessoal. Deu o nome de Ladário em homenagem à cidade do mesmo nome, em Portugal, onde nasceu Luiz de Albuquerque. Leme do Prado voltou a Corumbá e no dia 21 de setembro declarou fundada Albuquerque. Mas permaneceu em Ladário com o plantio bastante adiantado. Ladário passou a representar o primeiro assentamento agrícola da região e abrigo de canoeiros.
Com a presença do Arsenal de Marinha, construído em 1873, Ladário começou a ser urbanizada, com a abertura das primeiras ruas – Fernandes Vieira, Tamandaré, 14 de Março (a avenida principal onde se localiza o pórtico da Marinha), Cunha Couto, Riachuelo, Pedro II. Seus primeiros moradores foram os funcionários civis e militares provenientes do Arsenal da Marinha, dos componentes da Escola de Aprendizes de Marinheiros (localizada em Cuiabá), da guarnição de Cerritos (território paraguaio remanescente da guerra) e do Rio de Janeiro. O comércio e pequenas indústrias de Ladário começaram em torno das colônias sírio-libanesa, paraguaia, italiana, portuguea e espanhola. (Fonte:Monografia Ladarense, de J.L.Macedo)
Farofinha cuiabana
por Lucinéia Nunes
publicado no blog do estadão em 31/08/09




Foi ao som da viola-de-cocho e do canto ‘choramingado’ de cururis e siriris, que conheci o pixé. A especialidade cuiabana é uma farofa doce à base de milho torrado e moído, canela e açúcar, vendida em cones de papel ou potinhos de plástico. Com gosto de pipoca doce – aquela da embalagem cor de rosa, nem tão doce e, às vezes, até salgada – a farofinha pode ser usada para enriquecer doces ou mingaus.
Mas os cuiabanos preferem comê-la pura. Simplesmente jogam um pouco na palma da mão e lambem. Mas é preciso cuidado, avisou logo a quituteira: “Ele é seco e engasga que é um perigo”. Por isso, também há quem prefira comer pixé acompanhado de cachaça.

Felipe Rau/AE

De tão popular, o pixé virou até música, que soa com graça na boca de crianças e adultos. Quem me ensinou cantarolando foi o próprio autor, o atual Secretário Adjunto da Cultura de Cuiabá, também professor e poeta, Moisés Martins:



Milho torradinho socado
Canela açucarada
A branca pura daquela gurizada
Do tempo do Campo d’Ourique
Quando a “pandoga”, o buscapé, o trique-trique
Pintavam o céu com pingos de luz
Tempo bom que não volta mais
Só na lembrança de quem foi menino
E hoje é rapaz
Um dia ainda verei
Eu tenho fé
Meu neto com a boca toda suja de pixé
(Moisés Martins e Pescua, 1992)






Henrique e Claudinho
Rasqueado do pau rodado
(Composição: Pescuma e Pineto)



Não aguento mais ser chamado de pau rodado
Já tomo licor de pequi, já danço o Siriri
Como bagre ensopado
Sou devoto de São Benedito
Até já danço o rasqueado
Sou devoto de São Benedito
Até já danço o rasqueado
Adoro banho de rio, vou direto pra Chapada
Na noite cuiabana tomo todas bem gelada
Sou viciado no bozó, pescaria e cururu
Tomo pinga com amargo
Como cabeça de pau
Eá, Eá, Eá, só não nasci em Cuiabá
Mas no que eu cresci
Meu bom Jesus mandou buscar.
A arte de Francisco Charneca
São Benedito do Pantanal



São Benedito do Pantanal
acrílico sobre tela
120×100

sábado, 26 de dezembro de 2009

Pantanal

Sagrado Coração da Terra

Composição: Marcus Viana


São como veias, serpentes
Os rios que trançam o coração do Brasil
Levando a água da vida
Do fundo da terra ao coração do Brasil
Gente que entende
Que fala a língua das plantas, dos bichos
Gente que sabe
O caminho das águas, das terras, do céu
Velho mistério guardado nos seio das matas sem fim

Tesouro perdido de nós
Distante do bem e do mal
Filhos do Pantanal

Lendas de raças, cidades
Perdidas nas selvas do coração do Brasil
Falam os índios de deuses
Que descem do espaço no coração do Brasil
Redescobrindo as Américas 500 anos depois
Lutar com unhas e dentes
Pra termos direito as depois
Fim do milênio, resgates da vida, das garras, do mar
O futuro é tão verde e azul
Os filhos dos filhos dos filhos
Nossos filhos, verão
A terra é verde e azul
Os filhos dos filhos dos filhos
Nossos filhos, verão

Índia

Cascatinha e Inhana

Composição: José Asunción Flor / Manuel Ortiz Guerrero (versão em português de Zé Fortuna)





Índia seus cabelos nos ombros caídos
Negros como a noite que não tem luar
Seus lábios de rosa para mim sorrindo
E a doce meiguice desse seu olhar
Índia da pele morena
Sua boca pequena eu quero beijar
Índia sangue tupi
Tens o cheiro da flor
Vem que eu quero lhe dar
Todo meu grande amor
Quando eu for embora para bem distante
E chegar a hora de dizer-lhe adeus
Fica nos meus braços só mais um instante
Deixa os meus lábios se unirem aos seus
Índia levarei saudade
Da felicidade que você me deu
Índia a sua imagem
Sempre comigo vai
Dentro do meu coração
Flor do meu Paraguai.
Tetê Espíndola
O cio da terra

(Milton Nascimento e Chico Buarque)


Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão
Dança do Congo em Vila Bela da Santíssima Trindade

Congódromo' será construído em Vila Bela da Santíssima Trindade

Local será destinado a manifestações culturais, como a Dança do Congo.
Redação site TVCA com assessoria

Um espaço para a realização de eventos culturais será construído no município de Vila Bela da Santíssima Trindade (521 quilômetros de Cuiabá). O 'Congódromo', como está sendo chamado o local, faz referência a uma das mais importantes manifestações da cultura do Estado, a Dança do Congo. Para isso, o secretário de Estado de Cultura, Paulo Pitaluga, estará no município de 19 a 21 de julho para a assinatura de um Termo de Parceria para a construção deste espaço multieventos. A assinatura do documento será no da 20 de julho na Prefeitura de Vila Bela.

De acordo com o termo que será assinado entre a SEC e a Prefeitura do município, a Secretaria de Estado de Cultura irá viabilizar e executar o programa disponibilizando equipamentos e pessoal para levantamentos históricos, estudos técnicos em atendimento à legislação em vigor, que estabelece regras e normas de conduta para execução de obras em patrimônios tombados, em seu entorno, ou em estudos para tombamento. Após os procedimentos técnicos a Secretaria irá emitir pareceres da Coordenação de Patrimônio Histórico da Secretaria e do IPHAN, para encaminhamento dos projetos arquitetônico, elétrico e hidráulico aos órgãos do Governo do Estado.

O Congódromo vai sediar, em especial, a tradicional "Festa do Congo, ou Congada", que é realizada anualmente no município, sempre na segunda quinzena do mês de julho. A festa do Congo é uma dramatização onde dois reinados africanos disputam o poder. A dança surgiu com a vinda de escravos para a primeira capital do Estado, Vila Bela.

Durante a dança, os homens tocam os instrumentos e as mulheres representam as rainhas, que trajam vestidos longos, nas cores azul ou branco com enfeites, e levam à frente o estandarte com os santos de louvor: São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Na Congada, o Embaixador de um reino, que é quem comanda a festa, pede ao Rei do Congo a mão de sua filha em casamento. Com a negativa do Rei, o Embaixador declara guerra ao Congo. Em uma outra versão o Embaixador é o mensageiro do Rei de Bamba, que manda pedir a mão da Princesa em casamento. Os personagens do reinado do Congo são o Rei, o Príncipe e o Secretário de Guerra; do reino adversário aparecem o Embaixador e soldados. A nobreza usa mantos, coroas e bastões coloridos e ornamentados com flores como instrumentos. Em Vila Bela, os dançarinos se caracterizam com as flores na indumentária que servem para reverenciar São Benedito.

fonte: site da TV Centro América

História na Mídia

Dia dos Bandeirantes resgata a história da fundação de Cuiabá

Dois dos maiores bandeirantes que vieram a Mato Grosso estão sepultados na cripta da Catedral de Cuiabá
Marcy Monteiro Neto, da redação TVCA
  • TVCA.com.br

No dia 14 de novembro, é comemorado o Dia dos Bandeirantes. Foram esses homens que desbravaram o oeste brasileiro a partir do século XVII. Pascoal Moreira Cabral foi um deles e ficou marcado na história ao fundar, em 1719, a cidade de Cuiabá. Confira abaixo uma reportagem publicada originalmente em novembro do ano passado sobre a história da fundação de Cuiabá e sobre os bandeirantes.

Cripta abriga bandeirantes

Catedral Metropolitana de Cuiabá. Uma porta na entrada lateral esquerda da igreja dá acesso a um pequeno corredor. Lá, outra porta, fechada com cadeado, leva ao subsolo da catedral. São 13 passos em um piso íngrime, rumo à escuridão. Mais uma porta até a sala onde estão enterrados personagens históricos de Cuiabá. No pequeno recinto, a cripta da catedral, há um altar singelo e bancos de madeira. Em frente, as lápides informam os nomes das personalidades que fazem parte da história do Estado e que hoje descansam sob os pés dos fiéis que visitam a igreja matriz.

Pessoas influentes e respeitadas eram enterradas, tradicionalmente, nas igrejas. O fundador de Cuiabá, o bandeirante Pascoal Moreira Cabral, está enterrado na Catedral de Cuiabá. Miguel Sutil de Oliveira, que descobriu uma mina de ouro que mudou a história do oeste brasileiro, também está na Catedral. Os dois foram responsáveis pela povoação da região de Cuiabá mas raramente são lembrados no Dia do Bandeirante, comemorado nesta quarta-feira, 14 de novembro.

A data

Os bandeirantes desbravaram o oeste brasileiro a partir do século XVII. A princípio, estavam à procura de índios para trabalhar como escravos. O historiador Tadeu Silva ressalta que a atividade bandeirante foi essencial para povoar a região oeste do Brasil e fundamental para a criação do povoado que deu origem à cidade de Cuiabá. Ele ressalta que no início os bandeirantes apenas aprisionavam índios e retornavam para o sudeste. Eram feitas roças apenas para subsistência do grupo durante o pequeno período em que estavam em viagem. Depois, com a descoberta de ouro, até mesmo a Coroa Portuguesa incentivou a fixação de mais pessoas na região para participar da atividade mineradora.

O dia 14 de novembro foi escolhido para comemorar o Dia do Bandeirante porque foi nesta data que a vila de Santana do Paranaíba, no extremo do Piauí, foi fundada. O local foi alcançado pelo bandeirante Pascoal de Araújo, em 1672. Ele viajou, a cavalo, de São Paulo ao Piauí. Foi naquela época que outros bandeirantes vieram para o oeste do país. O primeiro registro que se tem é de Manoel de Campos Bicudo, que subiu o rio Cuiabá até chegar ao Morro da Canastra, atual Morro de São Jerônimo, situado em Chapada dos Guimarães. Foi Bicudo quem batizou de São Gonçalo a confluência do rio Cuiabá com o Coxipó.

Anos mais tarde, em 1717, o filho de Bicudo, Antônio Pires de Campos, acampou no mesmo local que seu pai chegara, rebatizando-o de São Gonçalo Velho. Lá combateu e aprisionou os índios coxiponés, para depois vendê-los como escravos em São Paulo. No ano seguinte, 1718, deixou o acampamento nas margens do Coxipó, desceu o rio Cuiabá levando centenas de índios escravizados e encontrou-se com a bandeira de Pascoal Moreira Cabral.

Fundação de Cuiabá

Pascoal enfrentou os índios bororos em uma batalha com muitos mortos, índios e brancos. Em 1719, o bandeirante encontrou pepitas de ouro na região e decidiu organizar o primeiro arraial e cobrar impostos em nome da Coroa Portuguesa. Outra jazida foi descoberta também no rio Coxipó, junto ao rio Mutuca. Foi ali que os bandeirantes fundaram o Arraial da Forquilha.

O governador da Capitania de São Paulo determinou que fosse confeccionada uma Ata de Fundação do descobrimento das novas minas. No dia 8 de abril de 1719, Pascoal Moreira Cabral e os bandeirantes ali reunidos lavraram a Ata de Fundação de Cuiabá, sendo Pascoal Moreira eleito Guarda-Mor das minas descobertas.

Bom Jesus de Cuiabá

Com a notícia do ouro encontrado em terras mato-grossenses, outras bandeiras vieram para essa região ainda não explorada. Em 1721, o sorocabano Miguel Sutil de Oliveira descobriu uma mina de ouro que mudaria a história do oeste brasileiro. A historiadora Elizabeth Madureira, no livro História de Mato Grosso, conta que Miguel Sutil mandou dois índios buscarem mel. "No retorno, ao invés do doce alimento, trouxeram pepitas de ouro. Estava descoberta a terceira jazida aurífera mato-grossense, desta vez situada no leito do córrego chamado Prainha, afluente do rio Cuiabá", conta a historiadora.

Os exploradores que procuravam por ouro na Forquilha e também em São Gonçalo decidiram tentar a sorte na Prainha, no sopé do Morro da Prainha, hoje conhecido como Morro da Luz. Lá criaram um pequeno vilarejo sob a proteção do Senhor Bom Jesus. Em 1º de janeiro de 1727, Cuiabá foi elevada à categoria de vila e passou a ser chamada de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

No dia 17 de setembro de 1818, Cuiabá tornou-se cidade, de acordo com a Carta Régia de D. João VI. Cinco anos depois, por decisão do Imperador D. Pedro I, tornou-se a capital da Província, no lugar de Vila Bela da Santíssima Trindade.

Mito bandeirante

O historiador Tadeu Silva esclarece que há um mito em torno dos bandeirantes que se aventuravam pelo interior do Brasil. Segundo o historiador, os bandeirantes não tinham o esteriótipo de super-heróis que se embrenhavam na mata para descobrir tesouros e conquistar civilizações. "Os bandeirantes foram muito pobres. A figura dos bandeirantes que as pessoas têm na cabeça é mito, virou alegoria", diz o historiador. Ele afirma que mesmo os bandeirantes mais conhecidos, como Pascoal Moreira Cabral e Borba Gato, por exemplo, eram pessoas muito simples. "As pesquisas atuais e os escritos deixados por eles permitem refazer a história", concluiu.

Pouco lembrados no Dia do Bandeirante, os desbravadores estão presentes no dia-a-dia dos cuiabanos. Bairro Bandeirantes, avenida Miguel Sutil, Praça Pascoal Moreira Cabral e Praça dos Bandeirantes são algumas das homenagens prestadas aos personagens históricos.

Além de Pascoal Moreira Cabral e Miguel Sutil, na Catedral Metropolitana também estão os túmulos com os restos mortais de outras personalidades como Dom Orlando Chaves e Dom Francisco de Aquino Corrêa.

fonte: mtonline.globo.com

Monumento a Ulisses Guimarães

Localização: Praça Ulisses Guimarães / Av. Historiador Rubens de Mendonça
Bairro: Jardim Aclimação Cidade: Cuiabá/MT



Foto: Roberto Barrich

Monumento erguido em 1987 por ter, juntamente com Dante Martins de Oliveira, encabeçado as Diretas Já.
A águia representa o voo em direção ao futuro e a liberdade dos estados em promover suas políticas.
Monumento aos Bandeirantes

Localização: Praça dos Bandeirantes
Bairro: Bandeirantes Cidade: Cuiabá/MT




Foto: Roberto Barrich


Monumento erguido em 1913 na então Av. Cel Escolático retrata a importancia das três raças em Cuiabá (brancos, índios e negros) que levantaram a cidade e fizeram dela a capital do Estado do MT.

A figura ao meio retrata o homem branco sob o busto do Bandeirante Pascoal Moreira Cabral. Afigura do índio da tribo coxiponés representa todas as nações indígenas do grande território de Mato Grosso (atuais Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia) e a figura do negro representa os escravos africanos que para cá vieram como mão-de-obra compulsória e que muito contribuiram para o crescimento da região.


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História na Mídia

Trio Rasqueado faz especial para SBT Repórter


 - Foto: Divulgação - 0

Foto: Divulgação

Trio Rasqueado

Da Redação Online

O SBT Repórter preparou um especial sobre a região pantaneira, mostrando os costumes, a fauna, flora e música da região. Para registrar o momento, o trio Pescuma, Henrique e Claudinho, precursores do rasqueado cuiabano - gênero musical e manifestação folclórica típica do Mato Grosso -, participou de um quadro com músicas e danças. No repertório A Lua, Morena Flor Tropical, entre outras. Além da fama, as letras que o trio canta refletem exatamente a cultura de Cuiabá.

SBT Repórter com o trio Rasqueado foi ao ar no dia 17 de dezembro de 2008, no SBT.

fonte: www.contigo.abril.com.br

História na mídia

Foto: Festival de Cururu e Siriri encanta cuiabanos

Festival reuniu grupos de várias cidades do Estado.
Redação site TVCA
  • Ednilson Aguiar/Secom-MT

O público cuiabano se encantou neste fim de semana com mais uma edição do Festival de Siriri e Cururu. Nos três dias de festa foram realizadas 18 apresentações de grupos de siriri e cururu da categoria adulto, quatro da categoria infantil, e participações especiais dos Quilombolas, de Nossa Senhora do Livramento, e o Melhor Idade da Varginha, de Santo Antônio de Leverger. Paralelo às apresentações culturais foram realizados um festival gastronômico com pratos regionais, feira de Artesanato e o Seminário das Culturas Populares.

fonte: http://rmtonline.globo.com/noticias.asp?em=2&p=2&n=459786

Vila Bela, a velha capital de Mato Grosso


Vila Bela, a velha capital de Mato Grosso

Cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade.

Ruínas da antiga Igreja Matriz na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade. Vila Bela da Santíssima Trindade fica distante de Cuiabá 525 km e tem uma população de 13.886 hab.

D. Antônio Rolim de Moura chegou em Cuiabá e tomou posse de seu cargo a 7 de janeiro de 1751. Seguindo para às margens do rio Guaporé, no lugar denominado Pouso Alegre, fundou, em 19 de março de 1752 Vila Bela da Santíssima Trindade, a capital da província, já com plano urbanístico.

Vários povoados haviam se formado na porção oeste, desde 1726 até a criação da capitania, tornando-se o embrião para o surgimento de Vila Bela na localidade de Pouso Alegre
O crescimento de Vila Bela teve como fator os negros, além de imigrantes. Rolim de Moura foi administrador por quase 14 anos ininterruptamente.

O período áureo de Vila Bela foi até 1820, a partir de então, houve descentralização política e Vila Bela divide com Cuiabá, a administração provincial.

No início do século XIX, Cuiabá atraía para si a sede da capitania, e Vila Bela recebia o título de cidade sob dominação de Mato Grosso. Em 28 de agosto de 1835 Cuiabá é transformada em capital e Vila Bela passou às ruínas.

Localização dos municípios de Cuiabá e Vila Bela da SS. Trindade.

Dança do Congo ou Congada, dança de tradição secular de origem africana, que incorporou ao longo dos anos características próprias de cada povo.

Apresentação da Dança do Congo na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade no estado do Mato Grosso - Brasil, tradição cultural dos negros da cidade.

A Dança do Chorado é uma manifestação remanescente da época da escravidão na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade.

Comida e bebidas típicas da cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade. O Canjinjin tem poderes afrodisíaco e curativos segundo os nativos.

Rio Guaporé em Bela Vista da Santíssima Trindade. Etapa do Campeonato de Pesca Estadual em Vila Bela.

Cachoeira dos Namorados em Vila bela da Santíssima Trindade.

Prédio sede da Prefeitura Municipal da cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade no estado do Mato Grosso.

Vista aérea da cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade e rio Guaporé.

fonte: www.mochileiro.tur.br/MT%20vila%20bela%20a%20..

Dança do Chorado em Vila Bela da Santíssima Trindade

Dança do Chorado - Vila Bela da Santíssima Trindade

Dança do Chorado - Vila Bela da Santíssima Trindade

Sedução era a arma das mulheres negras de Vila Bela da Santíssima Trindade para tirar o jugo de seus maridos, pais, irmãos ou parentes.

Dançando com muita sensualidade ao ritmo musical que ficou conhecido por Chorado, elas conseguiam que os senhores das senzalas e seus capitães-do-mato amenizassem os castigos impostos aos negros que fugiam ou desagradavam seus donos colonizadores brancos.

“Chorado” é o significado mais exato que essa dança poderia receber. Afinal, o gingado das negras era uma mistura de lágrimas e dor escondidas sobre o frenesi do ritmo, a evolução das ancas, o arfar dos seios e a melodia coletiva em dialetos africanos.

Os gajos se desmanchavam vendo as mulheres evoluírem no salão equilibrando garrafas de Kanjinjin na cabeça, com seus dentes extremamente brancos e os cabelos carapinha. A platéia exclusivamente branca e masculina esticava o olhar sobre os generosos decotes e devorava as coxas que propositadamente os vestidos estampados de chita deixavam à mostra. Ai Jesus! – diziam Manoel e Joaquim, que dominavam a Vila Bela e negra.

A noite não tinha fim. Embalados etilicamente pelo Kanjinjin, bebida afrodisíaca feita pelas mulheres que os enfeitiçavam dançando, os senhores dos escravos se deixavam escravizar tendo somente a lua por testemunha.

Na mesma Vila Bela enquanto os brancos se entregavam às negras, outras relações apimentavam ainda mais as noites de prazer. No silêncio do chamado sacrossanto do lar ouviam-se gemidos das brancas devolvendo aos maridos com a mesma moeda. Sem que soubessem os personagens daquele tempo miscigenavam a população na região de fronteira com a Bolívia, no Vale do Rio Guaporé.

Com essa dança as negras de Vila Bela continuam enchendo os olhos de quem as vê, em apresentações do Grupo Chorado. A sedução é a mesma, mas a razão para a dança é outra: a tradição.

fonte: www.mtaqui.com.br

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Curumim Chama Cunhantã Que Eu Vou Contar (Todo Dia Era Dia De Índio)

Elba Ramalho

Composição: Jorge Ben Jor / Tim Maia

Jês, Kariris, Karajás, Tukanos, Caraíbas,
Makus, Nambikwaras, Tupis, Bororós,
Guaranis, Kaiowa, Ñandeva, YemiKruia
Yanomá, Waurá, Kamayurá, Iawalapiti, Suyá,
Txikão, Txu-Karramãe, Xokren, Xikrin, Krahô,
Ramkokamenkrá, Suyá

Hey! Hey! Hey!
Hey! Hey! Hey!

Curumim chama cunhatã que eu vou contar
Cunhatã chama curumim que eu vou contar
Curumim, cunhatã
Cunhatã, curumim

Antes que os homens aqui pisassem
Nas ricas e férteis terraes brazilis
Que eram povoadas e amadas por milhões de índios
Reais donos felizes
Da terra do pau-brasil
Pois todo dia, toda hora, era dia de índio
Pois todo dia, toda hora, era dia de índio

Mas agora eles só têm um dia
O dia dezenove de abril
Mas agora eles só têm um dia
O dia dezenove de abril

Amantes da pureza e da natureza
Eles são de verdade incapazes
De maltratarem as femeas
Ou de poluir o rio, o céu e o mar
Protegendo o equilíbrio ecológico
Da terra, fauna e flora
Pois na sua história, o índio
É o exemplo mais puro
Mais perfeito, mais belo
Junto da harmonia da fraternidade
E da alegria,

Da alegria de viver
Da alegria de amar
Mas no entanto agora
O seu canto de guerra
É um choro de uma raça inocente
Que já foi muito contente
Pois antigamente

Todo dia, toda hora, era dia de índio
Todo dia, toda hora, era dia de índio

Hey! Hey! Hey!

Jês, Kariris, Karajás, Tukanos, Caraíbas,
Makus, Nambikwaras, Tupis, Bororós,
Guaranis, Kaiowa, Ñandeva, YemiKruia
Yanomá, Waurá, Kamayurá, Iawalapiti, Suyá,
Txikão, Txu-Karramãe, Xokren, Xikrin, Krahô,
Ramkokamenkrá, Suyá

Todo dia, toda hora, era dia de índio
Todo dia, toda hora, era dia de índio

Hey! Hey! Hey!
Curumim, cunhatã
Hey! Hey! Hey!
Cunhatã, curumim
Hey! Hey! Hey!
Curumim, cunhatã
Hey! Hey! Hey!
Cunhatã, curumim

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A Arte de Francisco Charneca

belíssimo trabalho de um pintor que transcende para as telas todos os sentimentos da cuiabania.




Lutan’o c’o pêtche (Lutando com o peixe)
150×110 cm
acrílico de terras e pigmentos naturais sobre tela



Namoro em Poconé
óleo sobre tela







O Cuiabano e o pêtche
acrílico de terras e pigmentos naturais sobre tela






São Benedito do Cuyabá
acrílico sobre tela
Índias Kayapó
acrílico sobre tela
120×100

fonte: http://artecharneca.wordpress.com/2006/11/page/2/ acesso em 23/12/2009

Na chapada
Tetê Espíndola e Ney Matogrosso
(Tetê Espíndola e Carlos Rennó)






há um chuvisco na chapada
em toda mata um cochicho em cê-agá
chuá-chuá na queda d'água
eu me espicho e fico quieta
nada me falta
o véu de noiva de água virgem
me elevou, envolveu
a sua ducha me deu vertigem
arrepio, rodopio, em mim
seu jorro não tem mais fim
e nesse êxtase me deixo
não sei quem sou
estou no meio do arco-íris
e saboreio elixires de amaralis
na cachoeira enxurrada
o véu da xhuva desceu
no vento nuvemno céu desaba
chapinhante,espumante,champagne
Chapada dos Guimarães

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Kikiô
Almir Sater

Composição: Geraldo Espíndola




Kikiô nasceu no centro
Entre montanhas e o mar
Kikiô viu tudo lindo
Todo índio por aqui
India América deu filhos
Foi Tupi foi Guarani
Kikiô morreu feliz deixando a terra para os dois
Guarani foi pro sul
Tupi pro norte
E formaram suas tribos cada um em seu lugar
Vez em quando se encontravam
Pelos rios da América
E lutavam juntos contra o branco em busca de servidão
E sofreram tantas dores acuados no sertão
Tupi entrou no Amazonas
Guarani ainda chama...
Kikiô na lua cheia quer Tupi, quer Guarani.....
Chalana
Almir Sater

Composição: Mario Zan e Arlindo Pinto



La vai uma chalanaBem longe se vai
Navegando no remanso
Do rio Paraguai
Ah! Chalana sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vai levando meu amor
Ah! Chalana sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vai levando meu amor
E assim ela se foi
Nem de mim se despediu
A chalana vai sumindo
Na curva lá do rio
E se ela vai magoada
Eu bem sei que tem razão
Fui ingrato
Eu feri o seu pobre coração
Ah! Chalana sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vai levando meu amor
Ah! Chalana sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Trem do Pantanal
Almir Sater

Composição: Paulo Simões / Geraldo Roça




Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
As estrelas do cruzeiro fazem um sinal
De que este é o melhor caminho
Pra quem é como eu, mais um fugitivo da guerra
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
O povo lá em casa espera que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem vivo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração está batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
Rumo a Santa Cruz de La Sierra
Comitiva Esperança
Almir Sater


Nossa viagem não é ligeira, ninguém tem pressa de chegar
A nossa estrada, é boiadeira, não interessa onde vai dar
Onde a Comitiva Esperança, chega já começa a festança
Através do Rio Negro, Nhecolândia e Paiaguás
Vai descendo o Piqueri, o São Lourenço e o Paraguai
Tá de passagem, abre a porteira, conforme for pra pernoitar
Se a gente é boa, hospitaleira, a Comitiva vai tocar
Moda ligeira, que é uma doideira, assanha o povo e faz dançar
Oh moda lenta que faz sonhar
Onde a Comitiva Esperança chega já começa a festança
Através do Rio Negro, Nhecolândia e Paiaguás
Vai descendo o Piqueri, o São Lourenço e o Paraguai
Ê, tempo bom que tava por lá,
Nem vontade de regressar
Só vortemo eu vô confessar
É que as águas chegaram em Janeiro, deslocamos um barco ligeiro
Fomos pra Corumbá
Sonhos Guaranis
Almir Sater

Composição: Almir Sater / Paulo Simões



Mato Grosso encerra em sua própria terra
Sonhos guaranis
Por campos e serras a história enterra uma só raiz
Que aflora nas emoções
E o tempo faz cicatriz
Em mil canções
Lembrando o que não se diz
Mato Grosso espera esquecer quisera
O som dos fuzis
Se não fosse a guerra
Quem sabe hoje era um outro país
Amante das tradições de que me fiz aprendiz
Em mil paixões sabendo morrer feliz
E cego é o coração que trai
Aquela voz primeira que de dentro sai
E as vezes me deixa assim ao
Revelar que eu vim da fronteira onde
O Brasil foi Paraguai

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O coronelismo em Mato Grosso na República Velha
A Primeira República, ou República Velha, em Mato Grosso, foi marcada politicamente pela disputa entre as oligarquias do Norte, composta pelos usineiros de açúcar, e do Sul, composta por pecuaristas, comerciantes, ligados à importação e exportação, e pelos coronéis da erva-mate. Essas oligarquias alternaram-se no poder após lutas violentas entre coronéis e seus bandos de lado a lado. Os episódios mais graves dessas disputas foram: Massacre da Bahia Garcez, em 1901; o assassinato do governador Totó Paz, em 1906; a Caetanada, em 1916, que culminou com a intervenção federal em Mato Grosso; Morbeck X Carvalinho verdadeira guerra na região dos garimpos no Araguaia, em Garças.
Contextualização
MS 30 anos: Disputa político-econômica motivou divisão de MT
Presidente Geisel assinou no dia 11 de outubro de 1977 lei que criou Mato Grosso do Sul a partir do desmembramento de MT
A data é pouco lembrada em Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul, é feriado estadual. Foi no dia 11 de outubro de 1977 que o presidente Ernesto Geisel assinou a Lei Complementar nº 31 dividindo Mato Grosso e criando o Estado de Mato Grosso do Sul. A data é como um marco de independência da região sul com relação à capital Cuiabá.
Enquanto alguns ainda condenam as forças divisionistas outros argumentam que a divisão serviu para impulsionar o desenvolvimento dos dois Estados.
Processo demorado
A divisão de Mato Grosso em dois Estados aconteceu devido a um processo demorado em que foram levados em consideração aspectos sócio-econômicos, políticos e culturais.
Enquanto o sul do Estado tentava a divisão, o norte endurecia e barrava as intenções sulistas. De acordo com Alisolete Weingärtner, professora de História de Mato Grosso do Sul, o movimento divisionista no sul tem origem por volta de 1889, quando alguns políticos corumbaenses divulgaram um manifesto no qual propunham a transferência da capital de Mato Grosso para Corumbá. A atitude não teve resultados na época, mas mostrou que a tímida ação política poderia retornar com mais força. E foi o que aconteceu.
O movimento divisionista ganhou força com a regularização das viagens ferroviárias. O crescimento sócio-econômico do sul do Estado com a sistematização da pecuária e a exploração da erva-mate marcaram o movimento, fazendo com que Campo Grande se tornasse um pólo de desenvolvimento. Mesmo com a prosperidade do sul, Cuiabá ainda mantinha o poder político e administrativo, mesmo que as grandes distâncias a deixassem isolada das cidades do sul e da capital federal, Rio de Janeiro.
Em 1921, Campo Grande passou a ser sede da Circunscrição Militar, hoje Comando Militar do Oeste. Em seguida, a cidade foi considerada a capital econômica de Mato Grosso devido à exportação na estação ferroviária. Anos mais tarde, em 1946, Eurico Gaspar Dutra assumiu a presidência da República após a deposição de Getúlio Vargas. Novamente a tentativa de transferir a capital de Cuiabá para Campo Grande foi frustrada. Dutra reforçava a política de integração nacional, que incentivava a manutenção da unidade estadual.
Lei pró-divisão
O governo federal estabeleceu, em 1974, a legislação básica para a criação de novos estados e territórios. No ano seguinte, renasceram as idéias divisionistas devido à discussão dos limites de Mato Grosso com Goiás. O movimento tomou fôlego e, em 1976, a Liga Sul-Mato-Grossense, presidida por Paulo Coelho Machado, liderou a campanha. Do outro lado a oposição era do governador de Mato Grosso, José Garcia Neto.
Trabalhando com rapidez e sigilo, os integrantes da Liga forneceram ao governo federal subsídios necessários para viabilizar a divisão do Estado. A lei foi assinada pelo presidente Ernesto Geisei no dia 11 de outubro de 1977 e publicada no Diário Oficial do dia seguinte.
Mato Grosso tinha à época 93 municípios e 1.231.549 quilômetros quadrados. A lei dividiu o Estado e deixou Mato Grosso com 38 municípios e Mato Grosso do Sul com 55. Apesar de ter menos municípios, Mato Grosso ficou com a maior área: 901.420 quilômetros quadrados.
FASES DO MOVIMENTO DIVISIONISTA
De acordo com a historiadora Alisolete Antônia dos Santos Weingartner, o movimento divisionista foi caracterizado por quatro períodos: De 1889 a 1930, o movimento tem início com as lutas coronelistas. No final do século XIX, os coronéis Jango Mascarenhas e João Caetano Teixeira Muzzi (chefes políticos do sul de Mato Grosso) e o advogado gaúcho Barros Cassal, refugiado das guerras políticas do Rio Grande do Sul, foram os que movimentaram as primeiras manifestações separatistas. Mas, perseguidos pelos adversários, Mascarenhas e Teixeira Muzzi asilaram-se no Paraguai e Barros Cassal foi assassinado em Nioaque. Sem líderes, a bandeira separatista caiu nas mãos de chefes armados, que se serviram dela para promover correrias e justificar depredações nas propriedades de adversários políticos. A progressiva adesão do povo sul-mato-grossense foi em conseqüência da política regionalista e discriminatória adotadas pelos dirigentes de Cuiabá em relação ao sul do Estado. De 1930 a 1945, a luta separatista chegou aos movimentos urbanos. A população começa a participar das discussões. “Ressalta-se que em 1934 o voto passou a ser universal, ou seja, o povo começou a votar. Daí a participação popular mais forte”, explica a historiadora. A terceira fase seria de 1945 a 1964, época de Getúlio Vargas, da redemocratização. Foi nesse período que a maioria dos políticos abraçou a “causa divisionista” para ganhar votos. “No Sul do Estado estava o maior colégio eleitoral. Os interessados em se eleger tinham quase que, obrigatoriamente, defender a divisão”, lembra Alisolete. E dessa forma, os grupos se fortaleceram e foram enfraquecidos em suas lutas pela divisão, até que, no período da ditadura militar, o General Ernesto Geisel foi empossado na Presidência da República e encaminhou o projeto de lei ao Congresso Nacional, propondo a criação de um novo Estado, que teria o nome de Campo Grande e a capital teria o mesmo nome. Ao ser aprovada a lei pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, em 11 de outubro do mesmo ano mudou-se o nome do estado para Mato Grosso do Sul. Decidiu-se que a capital seria a cidade de Campo Grande. Em março de 1978, o engenheiro Harry Amorim Costa foi nomeado pelo presidente para o cargo de governador do Estado. Em 1º de janeiro de 1979 foi instalado oficialmente o governo de Mato Grosso do Sul com a posse do governador Harry Amorim Costa, em sessão solene no Teatro Glauce Rocha e a presença do Presidente Ernesto Geisel e seus ministros. No entanto, antes de um ano no cargo, Harry Amorim foi substituído por Marcelo Miranda. Este, por sua vez, foi demitido já em 1979 pelo Presidente da República e substituído por Pedro Pedrossian, "de modo a promover maior entrosamento e unidade política no estado, com vistas às eleições de 1982". Contudo, nem a substituição nem as verbas liberadas em 1981 garantiram a vitória do governo nas eleições de 1982. Elegeu-se governador Wilson Barbosa Martins, ex-deputado federal cassado. Contexto atual Para falar um pouco desta história e analisar os prós e contras do movimento divisionista, a professora historiadora Alisolete Weingartner dá uma palestra no MIS (Museu da Imagem e do Som), no próximo dia 18, em Campo Grande. Ela pretende se ater ao último período, o militar. “Vamos discutir a problemática do desenvolvimento não só da região de Mato Grosso mas de todo o País, dentro do contexto histórico. Tivemos seguidas crises econômicas que afetaram muito os Estados”, ressalta. Para ela, o momento é propício para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, já que as lideranças políticas, em sua opinião, estão consolidadas, e há uma grande expectativa de investimentos. “Se houver uma dinamização da economia estaremos em destaque, como um dos melhores estados para se viver”, conclui.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009




Pé de Cedro
Duduca e Dalvan

Composição: Goiá / Zacarias Mourão

Foi no belo Mato Grosso

Há vinte anos atrás

Naquele tempo querido

Que não volta nunca mais.
Nas matas onde eu caçava

Um pequeno arbusto achei

Levando pra minha casa

No meu quintal plantei.
Era um belo pé de cedro

Pequenino em formação

E plantei suas raízes

Na terra fofa do chão.
Um dia parti pra longe

Amei e também sofri

Vinte anos se passaram

Em que distante vivi.
Hoje volto arrependido

Para o meu antigo lar

Abatido e comovido

Com vontade de chorar.
E rever meu pé de cedro

Que está grande como que

Mas é menor que a saudade

Que hoje sinto de você.
Cresceu como minha mágoa

Cresceu numa força rara

Mas é menor que a saudade

Que até hoje nos separa.
A terra ficou molhada

Do pranto que derramei

Que saudade pé de cedro

Do tempo em que eu te plantei.
Que saudade pé de cedro

Do tempo em que eu te plantei!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

LEITURA DINÂMICA
Uso da água na Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá (1790-1886)

Neila Maria Souza Barreto. Água de beber no Espaço Urbano de Cuiabá (1790-1886) . Cuiabá: editora Carlini e Caniato Editorial, 2007.


Esta obra foi tema de mestrado em 2005 da jornalista e historiadora Neila Maria Souza Barreto e sua publicação ocorreu simultaneamente à inauguração do Museu do Morro da Caixa D’água Velha, prédio antigo, construído em 1882, desativado há 50 anos e que já foi o centro de abastecimento de água da capital do estado de Mato-Grosso. O livro discorre sobre os rios, fontes, chafarizes, bicas e penas d´água para revelar como a população local (ou seja, a elite cuiabana, os escravos e os pobres livres) consumiam sua água de beber, ressaltando que a questão passava por soluções individuais e que suas práticas cotidianas estavam atreladas a fatores como hábito, poder aquisitivo, características climáticas e tipo de cidade. A historiadora refaz o caminho percorrido pelos mananciais de água que circundavam o espaço urbano da então Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá até chegar ao sistema de abastecimento de água coletivo implantado pelos empresários João Frick e Carlos Zannota na cidade em novembro de 1882.. Apresenta também um Pequeno Dicionário das Águas, no qual é possível localizar as mais variadas formas de uso da água ao longo do tempo, um quadro comparativo de algumas ruas, largos, praças e becos da cidade até os dias atuais, além de chamar a atenção das autoridades mato-grossenses para a importância do saneamento básico e, principalmente da água em Cuiabá.

HISTÓRIA NA MÍDIA


A bandeira de Cuiabá
A capital mato-grossense só ganhou uma bandeira oficial quase ao apagar das luzes do século passado, no dia 29 de dezembro de 1972


Nos arquivos do Instituto Memória do Poder Legislativo estão guardados muitos dos principais fatos históricos mato-grossenses. Alguns deles bastante curiosos. Por exemplo: a escolha da bandeira oficial do município de Cuiabá.
A curiosidade está no fato de que, apesar de ter se tornado município no dia 1° de janeiro de 1727 com o nome de Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá, a Capital de Mato Grosso só veio ter a sua bandeira oficial há pouco mais de três décadas, ou seja, a partir do dia 29 de dezembro de 1972, através do decreto n° 241/72, assinado pelo então prefeito José Villanova Torres.
E só então a Bandeira do Município de Cuiabá passou a ser hasteada nos eventos oficiais e prédios onde funcionam a Prefeitura e a Câmara Municipal ao lado da bandeira do Estado de Mato Grosso e abaixo da bandeira Nacional.
A explicação para a demora da escolha desse símbolo, quando o município de Cuiabá já tinha Brasão de Armas, Hino e Letra, não é encontrada nos arquivos do Instituto de Memória do Poder Legislativo. Mas os passos que foram dados para a criação, escolha e oficialização da bandeira da Capital mato-grossense, estão ali registrados.
A começar pela justificativa apresentada pelo autor do projeto de lei, o então vereador da Arena, Evaldo de Barros. O texto registra, logo depois do seu início, que “Cuiabá, talvez seja, uma das únicas Capitais Brasileiras a não possuir a sua bandeira. Até mesmo dentre as cidades Mato-grossenses, poucas são aquelas que ainda não possuem a sua bandeira”.
E, fechando o raciocínio inicial, o texto da justificativa apresentada por Evaldo de Barros, diz o seguinte: “Exatamente no ano em que o Brasil comemora a passagem dosequicentenário da nossa independência, seria de todos os modos histórico e elegante que a velha e brava Capital de Mato Grosso, de tantas tradições marcantes no solo pátrio, instituísse numa homenagem ao País, a sua bandeira”.
A pedido do parlamentar arenista, a Câmara de Vereadores iniciou na Sessão do dia 09 de agosto de 1972, a apreciação da matéria em regime de urgência. E já no dia 18 do mesmo mês, a proposta de criação da Bandeira do Município de Cuiabá, apresentada pelo vereador Evaldo de Barros, era sancionada pelo prefeito José Villanova Torres. Por Lei, a Capital mato-grossense teve a sua bandeira oficializada no dia 29 de dezembro de 25 de outubro de 1972.
A escolha da Heráldica do município, instituída em concurso, por uma comissão composta de representantes da Justiça do Estado e do Legislativo Municipal, das Forças Armadas do Brasil e da Imprensa Mato-grossense, ocorreu nas dependências da Academia Mato-grossense de Letras, no dia 26 de dezembro de 1972.
Entre as várias propostas apresentadas, a Comissão Julgadora optou pela de Nilton Benedito Santana, que recebeu um prêmio de Mil Cruzeiros oferecido pela Prefeitura de Cuiabá. Os trabalhos foram presididos pelo desembargador Oscar César Ribeiro Travassos, presidente do Tribunal de Justiça do Estado.
Fizeram parte ainda da comissão o major José Francisco da Cunha, representando a Guarnição Federal de Cuiabá, a professora Helena Sandoval Miranda, da Secretaria de Educação e Cultura do Estado, o escritor Rubens de Mendonça, da Academia Mato-grossense de Letras, o vereador Benedito Alves Ferraz, presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, e o jornalista Pedro Rocha Jucá, redator-chefe do jornal “O Estado de Mato Grosso”, e presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Mato Grosso.
O jornal “O Estado de Mato Grosso” registrava na sua edição de 27 de dezembro de 1972, o seguinte: O desenho proposto pelo candidato vencedor, Sr. Nilton Benedito de Santana, é bonito e moderno, por ele identifica-se perfeitamente a bandeira oficial de Cuiabá. Terá dois campos de cores: um verde, representando as palmeiras, símbolo maior da capital mato-grossense; o outro, branco, exemplificando a pureza e a brandura da alma do povo cuiabano.
Entre os dois campos de cores, estampa-se um motivo quase em círculo de cor amarela, simbolizando a riqueza do ouro cuiabano, tendo ao centro o monumento que assinala o centro geodésico da América do Sul. Por cima do amarelo, está escrito Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá”.
Base dos municípios: A propósito do município de Cuiabá ter levado mais de dois séculos e meio, desde a sua fundação, para oficializar a sua bandeira, a secretária do Instituto Memória do Poder Legislativo, Ísis Catarina Martins Brandão, num trabalho onde procura mostrar Cuiabá como base dos municípios de Mato Grosso, não explica a questão, mas deixa bem claro que o longo período de isolamento e as mudanças institucionais vividas pela hoje capital mato-grossense, podem ter contribuído de certa forma para que fosse esquecida durante tanto tempo a necessidade da criação e oficialização desse símbolo. Afinal, como diz a sabedoria popular, tudo tem seu tempo. Confira:
Ísis Catarina começa o seu trabalho, escrito de forma resumida, dizendo que “quando da criação da Capitania de Mato Grosso, em 09 de maio de 1748, havia dois núcleos de povoamento: a Vila de Cuiabá (que era o mais habitado, fundado em 1719 e tornado município em 1° de janeiro de 1727 com o nome de Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá) e o distrito de Mato Grosso, nas proximidades da fronteira com os espanhóis (carta régia de 05 de agosto de 1746), onde futuramente seria erguida uma (Vila Bela) para ser a sede administrativa da Capitania”.
Prosseguindo na leitura do texto da secretária do Instituto Memória, a gente encontra a informação de que a Capitania de Mato Grosso ficara provisoriamente subordinada ao Capitão General do Rio Janeiro, Gomes Freire de Andrade (até que fosse nomeado o seu Capitão General), que despachava ordens ao Senado da Câmara da Vila de Cuyabá. Logo mais adiante o leitor vai ficar sabendo que “cumprindo ordens da Rainha Dª Mariana de Áustria, explicitadas na carta régia de 19 de janeiro de 1749, D. Antônio Rolim de Moura, o 1° Capitão General a despachar dentro do território da Capitania, fundou, em 19 de março de 1752, a vila que seria a sede da Capitania: Vila Bela da Santíssima Trindade, para assegurar a posse do expandido território nacional, e a ele foi confiado enviar informações e mapas para que fossem resolvidos os confins da Capitania...”
Segundo ainda o trabalho de Ísis Catarina, “quando da declaração da Independência brasileira, a Capitania contava com três municípios, pois em 23/11/1820, por Alvará Régio, emancipara-se a Vila de Nossa Senhora da Conceição do Alto Paraguay-Dimantino”.
Assim, contando quatro municípios na Província de Mato Grosso, em 1835 instala-se sua Assembléia Legislativa Provincial, cujos deputados-membros passam a definir a política geográfica da Provincia.
Ísis Catarina conta que àquela época, já com as fronteiras definidas, a Pronvíncia encampava terra dos atuais Estados de Rondônia (até a publicação do Decreto-Lei n° 5.812, de 13/09/1943, que criou o Território Federal do Guaporé, que passou a ser denominado Rondônia em 1956 pela Lei Federal n° 2.731, com terras dos Estados de Mato Grosso e Amazonas e Mato Grosso do Sul, desmembrado da área do Estado de Mato Grosso pela Lei Complementar n° 31, de 11 de outubro de 1977.
O interessante é que, segundo Ísis Catarina, “podemos dizer que não somente os atuais 141 municípios do Estado de Mato Grosso derivam de Cuiabá, mas sim também todos os municípios contidos no Estado de Mato Grosso do Sul e grande parte dos contidos em Rondônia, como podemos comprovar com o município de Miranda, hoje em Mato Grosso do Sul, que foi o primeiro município emancipado pela Assembléia Legislativa Provincial de Mato Grosso, em 1857, pertencente à Comarca de Cuiabá”.


Personalidades de Mato Grosso


Rubens de Mendonça Rubens de Mendonça nasceu em Cuiabá, 27 de julho de 1915. Exerceu os cargos de Escriturário da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional e Delegacia Regional do Imposto de Rendas, foi Avaliador Judicial da Comarca da Capital, jornalista profissional. Redator da 2ª Divisão da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, Chefe do Escritório Regional da SUDAM, em Mato Grosso, professor da disciplina de Português, registrado na Divisão do ensino Industrial. Sob. Nº. 3773, do Ministério de Educação e Saúde. Poeta e historiador. Pertenceu à Associação de Imprensa Mato-Grossense. Fez parte das seguintes sociedades culturais: Academia Mato-Grossense de Letras, Instituto Histórico de Mato Grosso, Sociedade de Geografia de Lisboa, Instituto “Antônio Cabreira”, de Lisboa, Instituto de Cultura Americana, de La Prata, Argentina, Centro Intellectual “Augustin Aspiazu”, de La Paz, Bolívia, Secretário Geral da Comissão Mato-Grossense de Folclore, da Academia Acreana de Letras (correspondente). Fundou e dirigiu com Gervásio Leite e João Batista Martins de Melo, a revista “Pindorama”, colaborou nas revistas: “Cidade Verde”, de Cuiabá, “O Éco”, de Campo Grande, “Revista Genealógica Brasileira”, de São Paulo, “Revista da Academia Mato-Grossense de Letras”, “Revista do Instituto Histórico de Mato Grosso”, “A Caçula”, de Três Lagoas, “Anuário do Oeste Brasileiro”. Fundou e dirigiu os seguintes jornais: “O Trabalhista”, “Brasil Oeste”, “O Social Democrata”, foi secretário do jornal “A Batalha” e redator de “O Correio da Semana”, redator chefe do jornal “O Estado de Mato Grosso”, ainda colaborou no “Jornal do Comércio”, de Campo Grande, “Atualidades”, de Corumbá”, “Novo Mundo”, de Guiratinga, “Folha Literária”, de Cuiabá, “Sací”, “Arauto de Juvenilia”, “Sara”, “Ganga”, “Mato Grosso Ilustrado”, “Mato Grosso em Revista”, “Diário de Cuiabá” e “Correio da Imprensa”. Fundou com Gervásio Leite e Euricles Mota “O Movimento Graça Aranha”. Representou Mato Grosso no I Congresso Nacional de Jornalistas, realizado em São Paulo, em 1949 e no IV Congresso, realizado na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, em 1957. Publicou: “Aspecto da Literatura Mato-Grossense”, 1938; “Garimpo do Meu Sonho”, (versos), 1939; “Álvares de Azevedo, o Romântico Sertanista”, 1941; “Poetas Borôros”, (Antologia de Poetas Mato-Grossenses), 1942; “Cascalhos da Ilusão”, (versos), 1944; “Os Mendonças de Mato Grosso”, (estudos genealógicos), 1945; “Discurso de Posse na Academia Mato-Grossense de Letras”, 1945; “No Escafandro da Vida”, (versos), 1946; “Gabriel Getúlio Monteiro de Mendonça”, 1949; “História do Jornalismo em Mato Grosso”; “Roteiro Histórico & Sentimental da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá”, 1952; “Álbum Comemorativo no 1º Congresso Eucarístico de Cuiabá”, 1952; “Dicionário Biográfico Mato-Grossense”, 1953; “Dom Pôr do Sol”, 1954; “Roteiro Histórico e Sentimental da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá” (2ª edição), 1954; “Poetas Mato-Grossenses”, 1958; “A Presença de Estevão Mendonça”, 1959; “História do Jornalismo em Mato Grosso” (2ª edição), 1963; “Bilac - O Poeta da Pátria”, 1965; “A Espada que Unificou a Pátria”, 1966; “O Tigre de Cuiabá”, 1966; “História de Mato Grosso”, 1967; “Estórias que o Povo Conta”, 1967; “Ruas de Cuiabá”, 1969; “Sagas & Crendices da Minha Terra Natal”, 1969; “História do Poder Legislativo de Mato Grosso” (2 volumes), 1969, “História de Mato-Grosso” (2ª edição), 1970; “História da Literatura Mato-Grossense”, 1970.Ocupou na Casa Barão de Melgaço a Cadeira nº. 9 da qual é patrono Dom José Antônio dos Reis, 1º Bispo de Cuiabá.
MENDONÇA, Rubens de. Dicionário biográfico mato-grossense. 2ª ed. Goiânia: Editora Rio Bonito, 1970.
290 anos de Cuiabá
Ah bela Cuiabá
Cidade da Festa de São Benedito,
Do Cururu, do Siriri
E da Maria Isabel com farofa de banana.
Cidade Verde que tanto
Alegra seu povo.
Ah bela Cuiabá
Que com seus 40ºC de pura animação
Agita seu povo.
Cidade acolhedora de Rubens de Mendonça,
Dante de Oliveira, Generoso Ponce,
Miguel Sutil e Júlio Muller.
De João Sebastião, Zé Bolo Flô,
Maria Taquara, Dona Domingas,
Pescuma, Henrique e Claudinho,
Entre tantas outras personalidades.Ah bela Cuiabá
Hoje completas mais um ano de vida,
Mais um ano de aprendizado e ensino
Ao seu povo.
Ah bela Cuiabá
Que continue assim,
Sempre bela e formosa por mais de 290 anos
E que a cada ano que se passePossamos comemorar mais e mais suas conquistas.
Ah bela Cuiabá
Que tantas alegrias trás ao seu povo,
Sejam eles nativos ou pau-rodados.
Autora: Viviane Petroli

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

História na Mídia

Após 250 anos, pesquisadores descobrem assento do "Marco de Jauru"
Depois de 250 anos, uma equipe de pesquisadores pode ter encontrado o local exato onde foi assentado o Marco de Jauru, na região da fronteira, com a Bolívia. A descoberta histórico/científica, uma das mais importantes dos últimos 200 anos pode, inclusive, conforme os pesquisadores, corrigir alguns aspectos do tratado, no que se refere ao limite territorial do marco divisório. Assinado em 1.750 entre os governos espanhol e português, o marco foi a forma encontrada pelos governos, para delimitar as terras entre as duas coroas na América. Conforme os pesquisadores, a descoberta pode também influenciar em uma nova versão da história sobre o tratado. De acordo com os pesquisadores, o marco foi assentado pelo governo português, a 60 quilômetros do município, a 544 metros da boca do rio Jauru, atualmente, utilizado como um acampamento de pescadores. A localização exata do sítio é resultado de um estudo multidisciplinar de 8 anos, liderado pelo historiador Sandro Miguel da Silva Paula, sargento do Exército, com a participação de geógrafos, historiadores, cartógrafos do Exército, engenheiros e professores da área de pesquisa. A divulgação da descoberta faz parte da programação alusiva aos 70 anos de criação do 2º Batalhão de Fronteira (2ºB.fron). Atualmente o marco encontra-se assentado na praça Barão do Rio Branco, em Cáceres. O batalhão tem como lema “Sentinela do Marco do Jauru”, título esse recebido por ocasião do bi-centenário da cidade em 1978. O local próximo a “boca do Jauru” onde, segundo os pesquisadores, a estrutura de mármore foi deixada pelos portugueses há 250 anos, até hoje mantém as características descritas no relatório de viagem do matemático Francisco José Lacerda e Almeida e do astrônomo Antonio Pires da Silva Pontes Leme, que entre 1.780 e 1.790 realizaram uma expedição de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) a Capitania de São Paulo. Os traços montanhosos da região, segundo o sargento Sandro, permanecem inalterados, conforme a descrição da época. O tratado de Madri assinado em 13 de janeiro de 1.750 entre a Espanha e Portugal, estabelecia os limites entre as terras das respectivas coroas. E, ao mesmo tempo dava por encerradas as demandas sobre o Tratado de Tordesilhas, assinado entre os governos desses países, em 1.494, reconhecendo, dessa forma, o direito de posse o “uti-possidetis” expressão latina, cuja tradução é: “como possuis agora” o que significa manter o que já se encontra realizado. O grupo liderado pelo historiador Sandro Miguel vem pesquisando o trabalho desde 2007. Diante da importância do acontecimento, nos últimos meses, vários estudiosos do gênero engajaram no projeto, entre eles, o engenheiro Adilson Reis, especializado em historiografia e a doutora Maria de Fátima Costa, professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Entenda a história De mármore conhecida como “pedra de lióz” o Marco de Jauru, construído pelos coroas da Espanha e Portugal, foi trazido da Europa - então Velho Mundo - atravessando o Oceano de navio, aportando-se no litoral brasileiro no século XVII. Em 13 de janeiro de 1.754 o marco foi assentado a 544 metros da boca do Jauru pela comissão de limites conhecida como terceiras partidas portuguesa e espanhola.


Em 1883 ele foi transladado do local onde foi assentado, para a praça matriz em Cáceres. O trabalho foi idealizado pelo tenente coronel Antonio Maria Coelho – herói da retomada de Corumbá, durante a guerra do Paraguai e comandante da guarnição de São Luiz de Cáceres. A viagem pela hidrovia do rio Paraguai, através de “batelão” – embarcação feita de madeira inteiriça medindo de 8 a 12 metros, segundo os historiadores, teria durado dezenas de meses. Em Cáceres, tornou-se patrimônio histórico nacional em 1978 bi-centenário da cidade. Com objetivo de dar sustentação científica e histórica a revisão do local de assentamento do marco, o comando do 2º Batalhão de Fronteira, através do coronel João Batista Neves Neto, organizou uma palestra que contará com a presença de todos os integrantes da equipe revisora do trabalho. Para o próximo dia 12, terça-feira, está agendada uma expedição ao local do assentamento do marco. A comitiva seguirá de barco até o local, onde será assinada uma ata do evento e assentado um marco simbólico de madeira nativa em referência a revisão e a grande descoberta.