quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Teste os seus conhecimentos históricos sobre a Guerra do Paraguai

A GUERRA DO PARAGUAI - EXERCÍCIOS PROPOSTOS

01. (UnB/CESP) A Guerra da Tríplice Aliança foi o maior conflito em que o Brasil se envolveu no século XIX. Por ser área de fronteira com o inimigo, Mato Grosso dele participou intensamente. Relativamente ao tema, assinale a opção incorreta.
A) O aprisionamento pelas forças paraguaias do vapor Marquês de Olinda, que conduzia o presidente nomeado de Mato Grosso, é considerado o ato inicial da guerra.
B) Francisco Solano López era o governante paraguaio que conduziu seu país durante o conflito contra Argentina, Brasil e Uruguai (Tríplice Aliança).
C) Após a guerra, a crescente força do exército brasileiro representou a ampliação de focos de atrito com o Império, o que contribuiu para a queda do regime.
D) A maior resistência encontrada pelos paraguaios em Mato Grosso foi a oferecida pela guarnição de Corumbá, que impôs severas perdas ao exército inimigo.
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02. (UFGD) Para se compreenderem os conflitos do Brasil imperial com seus vizinhos platinos, entre os quais se destaca a chamada Guerra do Paraguai, é preciso levar em conta
a) os interesses ingleses no escoamento da prata da Bolívia através do rio Paraguai.
b) o interesse argentino na liberdade de navegação pelo rio Paraguai, de modo a garantir as remessas de gado procedente de Mato Grosso.
c) o interesse brasileiro na liberdade de navegação pelo rio Paraguai, de modo a permitir o comércio e as comunicações com a província de Mato Grosso.
d) os interesses norte-americanos nos produtos da bacia platina, o que era visto como uma ameaça de intervenção dos Estados Unidos da América a favor do Brasil, contrariando os interesse argentinos e uruguaios.
e) o interesse do Brasil em controlar a produção agrícola paraguaia.

03. (UNEMAT) Durante a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1865-1870), a região Sul do estado de Mato Grosso, que corresponde ao atual estado de Mato Grosso do Sul, foi invadida pelas tropas de Solano Lopes. A respeito deste conflito, assinale a alternativa incorreta.
a. A Retomada de Corumbá foi comandada pelo tenente-coronel Antonio Maria Coelho, no dia 13 de junho de 1867.
b. A cidade de Cuiabá, durante o conflito, foi afetada pela epidemia de varíola que vitimou metade de sua população.
c. Com o fim da guerra, Mato Grosso perdeu parte de suas terras para o Paraguai, estabelecida nas cláusulas do acordo que colocou fim ao conflito.
d. Outras cidades de Mato Grosso, atacadas pelas tropas paraguaias, foram Miranda, Dourados, Aquidauana e Nioaque.
e. Após o término do conflito, a Província de Mato Grosso foi beneficiada pela reabertura da navegação no rio Paraguai, o que favoreceu a sua economia.

04. (UFMS) Sobre a Guerra com o Paraguai, é correto afirmar que:
(01) o Brasil, a Argentina e o Uruguai formaram a Tríplice Aliança para combater o Paraguai.
(02) a fase da guerra conhecida como a Campanha da Cordilheira foi comandada pelo Conde d’Eu, genro de D.Pedro II, em substituição ao Duque de Caxias.
(04) a guerra teve início em fins de 1864, quando os paraguaios aprisionaram o navio Marquês de Olinda, que transportava o presidente da Província de Mato Grosso.
(08) foram as batalhas mais importantes da guerra: Riachuelo, Monte Castelo e Lomas Valentinas.
(16) a Guerra da Tríplice Aliança terminou quando Solano Lopez renunciou ao governo paraguaio e deixou como regente seu filho menor de idade.
(32) Visconde de Taunay imortalizou em livro um dos feitos mais dramáticos da História da participação dos brasileiros na Guerra com o Paraguai. O livro referido chama-se A Retirada da Laguna.

05. (Vunesp) Entre dezembro de 1864 e meados de setembro de 1865, o Paraguai esteve na ofensiva militar, ao invadir o território brasileiro e o argentino. Solano López planejou uma guerra relâmpago que, se bem-sucedida, resultaria em um novo equilíbrio de poder no Prata. O plano, porém, foi frustrado por um conjunto de fatores. (...) Envolvido por uma guerra inesperada, o Império do Brasil foi surpreendido com o Exército despreparado a ponto de, seis meses depois de iniciada a luta, não ter conseguido tomar a ofensiva. Mato Grosso (...) tornou-se alvo fácil para a invasão paraguaia. (Francisco Fernando Manteoliva Doratioto, Maldita guerra - Nova história da Guerra do Paraguai) Na Guerra do Paraguai, as operações militares paraguaias começaram com a invasão do Mato Grosso, que pode ser explicada pela:

a) disputa territorial entre o Mato Grosso e a Bolívia.
b) interferência do Mato Grosso na guerra do Chaco.
c) recusa do Brasil em permitir a livre navegação no Prata.
d) condição de ser a província mais isolada e desprotegida do Império.

6. (EJM) A Guerra do Paraguai abalou o Segundo Reinado trazendo enorme endividamento do Brasil junto à Inglaterra. Mostrou a fragilidade do exército brasileiro, sendo preciso uma aliança entre três países da América do Sul contra o Paraguai. Com base nesta informação, indique a alternativa que mostra os países que formaram a Tríplice Aliança na referida guerra.

a) Argentina, Brasil e Inglaterra.
b) Brasil, Bolívia e Uruguai.
c) Argentina, Brasil e Uruguai.
d) Brasil Bolívia e Argentina

7. (UFGD) De acordo com recentes estudos produzidos no âmbito da historiografia brasileira, como o livro Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai, do historiador Francisco Doratioto (São Paulo: Companhia das Letras, 2002), entre as causas ou motivações da guerra entre o Paraguai e a Tríplice Aliança podemos citar:
a) a ameaça que Solano López representava aos interesses ingleses na região platina e o acelerado desenvolvimento industrial do Paraguai;
b) o processo de consolidação dos estados nacionais no Prata, as questões de geopolítica regional e os interesses econômicos dos países envolvidos no conflito;
c) o desenvolvimento industrial argentino e sua necessidade de ampliação de mercados na região platina, em especial no antigo Mato Grosso;
d) a situação de extrema fraqueza militar do Paraguai, que estimulou seus vizinhos a ataca-lo;
e) o caráter democrático do regime de Solano López, que constituía uma ameaça aos governos ditatoriais que imperavam nos países vizinhos.

8. Relativamente a fatos, personagens e contextos da história de Mato Grosso, assinale a opção incorreta.
a) Dois fatos protagonizados pelo Paraguai deram início à Guerra da Tríplice Aliança: o aprisionamento do navio que conduzia o futuro presidente da província de Mato Grosso e a invasão do território brasileiro.
b) A figura do marechal mato-grossense Cândido Mariano da Silva Rondon identifica-se, na história brasileira, fundamentalmente pelo esforço de interligar o interior do país por meio das comunicações e pela preocupação em proteger as populações indígenas.
c) Diferentemente do ocorrido em outras regiões do Brasil colônia, em Mato Grosso foram irrelevantes os conflitos entre conquistadores brancos e populações indígenas, tendo sido estas facilmente atraídas para o trabalho nas minas e na lavoura.
d) De maneira geral e quanto à repercussão econômica, a mineração em Mato Grosso foi de curta duração, marcada por descobertas intermitentes e pelo rápido esgotamento.

Resolução
1. D
2. C
3. C
4. V,V,V,V,F,V
5. D
6. C
7. B
8. C
RUSGA - EXERCÍCIOS PROPOSTOS

01. (UNEMAT) Durante o Império, Mato Grosso vivenciou um importante movimento social em 1834, conhecido como Rusga. Sobre este acontecimento, assinale a alternativa correta.
a. O movimento ocorreu em Mato Grosso em virtude de desentendimentos políticos no Rio de Janeiro entre Liberais Radicais e Liberais Moderados.
b. A Rusga teve, como uma de suas principais características, as profundas reformas sociais que os seus líderes pretendiam implantar.
c. Mesmo com a intensidade das disputas entre Liberais e Conservadores, não ocorreram atos de violência em virtude da enérgica repressão do presidente da Província Antonio Corrêa da Costa.
d. Apesar das ações de violência, em síntese, o movimento não defendia nenhuma alteração significativa nas relações de trabalho, no regime político ou mesmo no processo eleitoral.
e. Os membros da Guarda Nacional, em Mato Grosso, decidiram não se envolver na revolta por considerá-la ilegítima em suas reivindicações.

02. (NCE - SAD 2006)
“Viva a Constituição brasileira
Viva D. Pedro II
Morram os bicudos pés de chumbo”
Os gritos dos revoltosos ecoavam pelas ruas....
“Na escuridão da noite apenas se ouvia o barulho dos
machados e das alavancas arrombando portas...”

Os trechos acima fazem referência à “Rusga”, movimento político-social que eclodiu em 30 de maio de 1834, em Cuiabá.

Assinale a alternativa que caracteriza corretamente essa rebelião:

(A) liderada por negros libertos e brancos pobres, influenciada pelo ideário positivista, a revolta exigia a imediata abolição da escravidão e o congelamento dos preços de aluguéis e alimentos;
(B) representou os interesses dos partidários da Junta Governativa de Vila Bela que promoveram a separação da região do resto do Brasil, pois não aceitavam a independência proclamada por D. Pedro I;
(C) articulado pela Sociedade dos Zelosos da Independência, o movimento tinha, inicialmente, objetivos políticos moderados, mas assumiu um caráter violento na medida em que grupos radicais exigiam a expulsão dos portugueses;
(D) obteve grande apoio das camadas médias urbanas e da burguesia manufatureira que, influenciadas pelo liberalismo, defendiam a imediata proclamação da República;
(E) refletiu a ação do Partido Brasileiro, pois os proprietários rurais de Mato Grosso defendiam o fortalecimento do poder imperial, contrariando a orientação federalista do Nordeste.




03. (UnB/CESP) Em meio a muitos atos de violência, um episódio sangrento notabilizou-se na história de Mato Grosso. Trata-se da rusga, nome pelo qual ficaram conhecidos os sangrentos acontecimentos de 30 de maio de 1834, quando
A) espanhóis vindos da Bolívia, em sua maior parte, atacaram Mato Grosso para reaver o território que consideravam pertencer-lhes de direito.
B) guerreiros paiaguás invadiram a capital da província e encontraram inesperada e poderosa reação por parte da população local.
C) brasileiros de Mato Grosso se lançaram armados contra portugueses que viviam na província, os chamados adotivos, o que, para alguns, foi gesto típico de revanche à tirania lusa.
D) as tropas enviadas pelo governo regencial atacaram Cuiabá com o objetivo de desalojar do poder o presidente da província.

04. (UFMT) A Rusga em Mato Grosso, portanto, foi um dos mais precoces movimentos regenciais, visto que deflagrado em 1834. Mesmo tendo sido uma luta armada travada no interior das elites, ela engrossou uma movimentação mais ampla, tendo sido plural em suas reivindicações e expressões.
(SIQUEIRA, E. M. História de Mato Grosso. Cuiabá: Entrelinhas, 2002.)
Sobre o movimento A Rusga, assinale a afirmativa correta.
A) Propôs a abolição do trabalho escravo com o objetivo de conseguir a adesão não só dos cativos, mas também dos grupos abolicionistas.
B) Foi também impulsionada pela questão da cor, pois os revoltosos, em sua maioria mulatos ou crioulos, sentiam-se inferiorizados em relação à população branca.
C) O principal alvo dos revoltosos foi a elite comercial e os pequenos proprietários.
D) Em seu momento de maior radicalização, os líderes do movimento pretenderam a independência da província.
E) Significou a reação das elites da província à promulgação da Constituição Imperial.

05. (UnB/CESP) Um dos mais violentos episódios da história de Mato Grosso ficou conhecido como A Rusga, que explodiu no contexto da independência e da constituição do Estado brasileiro, processo que se estendeu pelo Primeiro Reinado (1822-31) e pelo período regencial (1831-40). Denominada por alguns de a Noite de São Bartolomeu da História Mato-Grossense, A Rusga correspondeu ao:
A) choque de interesses entre naturais da província e forasteiros, sobretudo paulistas, que para ela convergiam em busca do ouro.
B) confronto entre brasileiros de Mato Grosso e portugueses, sendo estes identificados como estrangeiros que já haviam explorado em demasia as riquezas locais.
C) movimento de insurreição promovido pelos escravos de origem africana, que fundaram, pouco antes, em Mato Grosso, o maior quilombo que o Brasil conheceu.
D) levante indígena na região do Guaporé, o qual obrigou D. Pedro I a decretar a intervenção imperial no governo da província de Mato Grosso.

06. (UNEMAT) Quanto à Rusga, revolta que se desenvolveu em Mato
Grosso durante a Regência, pode-se afirmar.
a. Foi composta majoritariamente pelos Caramurus, grupo político que desejava o retorno de Dom Pedro I e a volta do Brasil à condição de colônia.
b. Havia uma forte articulação dos revoltosos com movimentos semelhantes que se desenvolviam no Pará, na Bahia e no Rio Grande do Sul.
c. Foi um movimento popular, tendo sido plural em suas reivindicações, como a defesa da abolição da escravatura.
d. Os liberais radicais, liderados por Poupino Caldas, desejavam, com a Rusga, expulsar da província e exterminar o poder dos grandes comerciantes, proprietários de terras e de escravos.
e. Foi organizada pela Sociedade dos Zelosos da Independência, composta por elementos da elite burocrática, profissionais liberais e componentes da Guarda Nacional.

07. (VUNESP) Espalhada a notícia de que os adotivos, que formavam o “poder econômico” da Província, preparavam-se para eliminar as mais importantes figuras ligadas à exaltação nacionalista, os “zelosos” decidiram tomar a dianteira. (...) Reunidos na residência de Joaquim de Almeida Falcão, presidente da Câmara de Cuiabá e dos “zelosos” (...) deliberaram agir imediatamente. E na noite de 30 de maio de 1834, tomado pela Guarda Nacional o quartel dos Municipais Permanentes, armada a tropa desenfreada, cercadas as casas dos adotivos de maior evidência, a um toque de clarim, que era o sinal combinado, iniciou-se a desordem: assaltos às residências de adotivos, ataques e saques no comércio. (Arthur Cezar Ferreira Reis, Mato Grosso e Goiás, In: História Geral da Civilização Brasileira) O fragmento faz referência:
a) à Rusga.
b) à rebelião do Tanque Novo.
c) ao conflito de limites com o Amazonas.
d) à rebelião comandada pelo coronel Mascarenhas.




DIVISÃO DE MATO GROSSO
Durante a gestão do Presidente Ernesto Geisel foi promulgada a Lei Complementar nº 31, no dia 31 de outubro de 1977 onde estabeleceu a divisão do Estado de Mato Grosso. Manteve-se o Estado de Mato Grosso e foi criado o atual Estado de Mato Grosso do Sul.
Assim sustentados por argumentos que serão relatados neste capítulo e devido aos interesses econômicos e políticos do governo ditatorial, os sulistas viram os seus desejos concretizados em 1977.
Entretanto para abordamos a divisão do Estado de Mato Grosso, é fundamental lembrar que essa aspiração seu deu desde o final do século XIX.
Na década de 70, do século XIX, com término da Guerra do Paraguai, este país perdeu parte do seu território para a Província de Mato Grosso. O aumento territorial da Província trouxe muitas preocupações às autoridades governamentais, pois apontavam que a dimensão do território representava um entrave para o desenvolvimento da Província. Assim nascia a discussão sobre a divisão de Mato Grosso.
No entanto, os primeiros sintomas do separatismo ocorreram em 1892, durante a crise política que abateu o governo republicano com a renúncia do Marechal Deodoro da Fonseca. Como já foi mencionado anteriormente, a crise também abateu sobre o Mato Grosso com a deposição do governador Manoel Murtinho e a subida ao poder de Benedito Pereira Leite. Foi nesse momento em que o sul de Mato Grosso, em Corumbá, o coronel João da Silva Barbosa, instituiu o Estado Livre de Mato Grosso ou República Transatlântica, apesar de todos os esforços, Murtinho buscando o apoio do governo federal conseguiu combater esse movimento separatista.
Ao retornar a presidência do Estado, Manoel Murtinho anulou as decisões políticas tomadas pelo coronel Barbosa e decretou o fim da República Transatlântica.
Em 1907, Generoso Ponce tomou posse no governo do Estado e de imediato teve que enfrentar novamente uma onda de movimentos separatistas no sul de Mato Grosso. Esses movimentos separatistas contavam com o apoio da Mate Laranjeira.
Em 1932, o Presidente Getúlio Vargas enfrentou os paulistas na Revolução Constitucionalista. Os rebeldes paulistas alegavam que lutavam pela constitucionalização do país. A notícia da revolução dividiu a opinião pública em todo o país.
Em Mato Grosso, o norte se manteve fiel ao governo getulista, enquanto que o sul preferiu apoiar os paulistas na luta contra Vargas. Para isso, o sul enviou a São Paulo um pequeno destacamento militar liderado por Bertholdo Klinger. Além disso, decretaram no sul a criação do Estado de Maracajú, novamente declarando-se independentes de Mato Grosso.
O Estado de Maracajú tinha como sede do governo Campo Grande, e como governador, o médico Vespasiano Barbosa Martins. Teve uma curta duração, somente três meses, pois assim que Vargas aniquilou a Revolução Constitucionalista, tropas foram enviadas ao sul de Mato Grosso para conter os movimentos separatistas.
O movimento de 1932 foi abafado, porém, deixou mais evidente as diferenças entre o norte e o sul mesmo derrotados os sulistas continuaram a sonhar com o separatismo.
Em 1934, Vespasiano Martins retomou a luta pela divisão fundando a Liga Sul Mato-grossense, e através de manifestos ao Congresso Nacional Constituinte, os sulistas pediram ao governo federal a criação “de um território federal ou Estado autônomo, na região sul de Mato Grosso abrangendo os municípios de Sant’Ana, Três Lagoas, Coxim, Campo Grande, Aquidauana, Miranda, Porto Murtinho, Bela Vista, Nioac, Entre-Rios, Maracajú e Ponta Porã”. – Silva, Jovam Vilela. A Divisão do Estado de Mato Grosso: uma visão histórica, p.155.
Mesmo com todos os argumentos apresentados pela Liga Sul Mato-grossense, o governo federal não mostrou interesse em dividir o Mato Grosso.
Ao final da ditadura de Vargas, o movimento no sul favorável a divisão se reacendeu. Vespasiano Martinsfoi eleito em 1945 pelo sul ao senado. Desta forma, os sulistas retomaram a luta pela divisão. Observava-se no Congresso Nacional uma divisão no tocante a esse problema: os políticos sulistas defendiam a separação enquanto que os políticos que representavam Cuiabá tentavam abafar o separatismo.
Ao final dos anos 50, no sul de Mato Grosso, uma caravana percorreu toda a região buscando apoio de mais pessoas a causa separatista. Esse movimento tinha como sigla MDM (Movimento Divisionista de Mato Grosso) e possuía como tela “Dividir para multiplicar”. Esse movimento foi revelado a todo país através dos meios de comunicação ganhando repercussão nacional, mas mesmo assim a divisão não aconteceu.
No início aos anos 1960, Jânio Quadros tomou posse na Presidência da República. O novo presidente era natural de Corumbá e com isso os sulistas tentaram mais uma vez a divisão do Estado, contudo viram o seu pedido negado. Entretanto não desistiram, e em 1963, na cidade de Corumbá reuniram-se no III Congresso dos Municípios de Mato Grosso. Durante a realização do Congresso, os sulistas elaboraram um documento pedindo a criação do Estado do Mato Grosso do Sul, mas novamente o pedido foi recusado.
Em 1964, com a implantação da Ditadura Militar, os separatistas tiveram as suas vezes silenciadas. Porém, no início da década de 70, com o interesse dos militares em integrar a região Amazônica ao capitalismo, os sulistas encontraram espaço político para defender a divisão.
Em 1977, o governo Geisel interessado na integração nacional e no crescimento econômico do país, determinou a divisão do Mato Grosso. Ficou estabelecido que o novo Estado criado ao sul receberia o nome de Campo Grande. Essa decisão, no entanto acabou provocando protestos no sul do Estado. Assim a União resolveu então denomina-lo de Mato Grosso do Sul, e escolheu como capital a cidade de Campo Grande.
Em 1977, governa o Mato grosso, José Garcia Neto (PDS). Depois da divisão o governo do Estado foi exercido por Cássio Leite de Barros. Mas é importante frisar que a divisão do Estado somente foi efetivada em 1979, sendo eleito como governador Frederico Carlos Soares de Campos.
Os sulistas para concretizarem a divisão do Estado apresentaram ao Governo Federal, as seguintes justificativas:
1 – O poder político era exercido por cuiabanos. 2 – O dinheiro arrecadado no Estado era maior no sul, no entanto, os benefícios ficavam principalmente na capital. 3 – Os empregos públicos eram ocupados por cuiabanos. 4 – O norte e o sul eram diferentes tanto na história como na cultura e também nas influências.

COLONIZAÇÃO DO INTERIOR DE MATO GROSSO
A primeira iniciativa de ser povoar a região de Mato Grosso foi uma iniciativa do Presidente Getúlio Vargas denominada “Marcha para o Oeste” que tinha como objetivo ocupar os “espaços vazios”. Foi nesse período que não se arrendou mais as terras para a Companhia Mate Laranjeira, alegando que iria fazer uma colonização na região de Dourados.
Para a realização deste projeto, Getúlio Vargas idealizou um trabalhador civilizado, ordeiro e com mentalidade européia, e que se encaixava no perfil do povo gaúcho. Nesse período a “Marcha para o oeste” não foi bem sucedida, pois era necessário mais do que a simples distribuição de terra. A partir da Ditadura Militar e do Governo de Emílio Garrastazu Médici, o governo federal estimulou novamente a ocupação de territórios ao norte de Mato Grosso. Para isso, os militares criaram órgãos como o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que tinha como finalidade ocupar os “espaços vazios” e colonizar a região de Mato Grosso e ao Amazonas. Alem disso, surgiu o PIN (Plano de Integração Nacional) onde a colonização foi realizada com uma parceria com o Governo Federal e de iniciativas particulares.
Assim, o governo federal desenvolveu projetos e criou órgãos que viabilizasse o processo de colonização. Nesse contexto surgiu a SUDAM (Superintendência de desenvolvimento da Amazônia), a SUDECO (Superintendência de Desenvolvimento do Centro Oeste), Rodovias como a Trans-Amazônica, Campos de Aviação, Linhas de Crédito no BASA e no Banco do Brasil.
A colonização seria empreendida pelas colonizadoras particulares, dentre elas podemos citar a Cooperativa 31 de março, a Coopercol, que deu início ao Projeto Canarana que mais tarde deu origem a cidade de Canarana na região do Araguaia.
Outras cooperativas empreenderam projetos em Mato Grosso, e eram basicamente compostas por gaúchos (sulistas em geral) que se dedicaram ao extrativismo vegetal e posteriormente a agropecuária.
A colonização promoveu o surgimento de novas cidades, como Luciara, Denise, Cláudia e Vera que tinham esses nomes por serem filhas ou esposas dos Presidentes das Cooperativas. Esse processo de ocupação gerou a devastação da natureza e o índio e os pequenos proprietários foram expulsos da terra.
Para Cuiabá os projetos de colonização trouxeram uma explosão demográfica fazendo surgir novos bairros tanto os periféricos, quanto os mais urbanizados como o Jardim das Américas, Boa Esperança e Jardim Itália.
TANQUE NOVO
O fato histórico conhecido como Tanque Novo ocorreu numa localidade com este nove na região de Poconé e como personagens estavam os membros da família Lacerda Cintra, mais precisamente uma mulher com o nome de Laurinda Lacerda Cintra que a partir dos 22 anos de idade (conhecida como Doninha) começou a ter visões de uma santa chamada “Jesus Maria José” e nesse contexto ela acabou por ter muita influência entre os habitantes da região porque aconselhava sobre medicina e também nas previsões sobre futuro e com isso o pequeno povoado transformou-se numa pequena vila.
Com as eleições de 1930. Getúlio Vargas que é candidato da oposição indicado por Antonio Carlos Andrada de Minas Gerais, vem a perder nas urnas para Júlio Prestes que era indicado de Washington Luis, mas com a morte de João pessoa na Paraíba que seria seu vice, surge o pretexto para Vargas dar o golpe e então com o apoio dos militares instala o Governo Provisório que deveria ser de 4 anos sendo que uma das suas primeiras medidas foi fechar o Congresso e as câmaras municipais. Em cada Estado colocou gente de sua confiança denominado interventor e o primeiro aqui em Mato Grosso foi Antonio Mena Gonçalves.
Nessa eleição, na região de Poconé e Tanque Novo Vargas sai derrotado, e quando acaba a Revolução Constitucionalista em 1932, Vargas convocou a Assembléia Constituinte e novamente Tanque Novo é oposição a Vargas. Leônidas Antero de Barros, novo interventor de Mato Grosso, representante de Getúlio Vargas, persegue os moradores de Tanque Novo e prendem Doninha por quase 03 meses. Em 1933, Doninha novamente é detida, sendo julgada e inocentada em 1934, mas isso só aconteceu depois que o partido do governo garantiu sua vitória, principalmente na região de Poconé.

MORBECK E CARVALHINHO
Este episódio se passou no início do século XX durante a gestão política de Pedro Celestino. Ao assumir o governo do Estado, logo o governador pode perceber que não possuía poder de fato na região leste do Estado, pois o poder era exercido de forma paralela por Morbeck.
Para derrubar Morbeck, Pedro Celestino pretendia provocar a rivalidade entre Morbeck e Carvalhinho, que além de ser o homem de confiança, era amigo de Morbeck.
Pedro Celestino nomeia Carvalhinho como delegado da Região Araguaia e Garças. Com a nomeação, Carvalhinho que agora era um representante da lei, deveria combater as ilegalidades de seu amigo Morbeck.
Morbeck ao saber da nomeação do amigo, se revoltou e preparou uma tocaia atacando Carvalhinho durante a madrugada. Porém, Carvalhinho conseguiu fugir se atirando no Rio Araguaia. Este episódio ficou conhecido como “dos morcegos e dos cai n’água”.
Ao fugir de Santa Rita do Araguaia, Carvalhinho foi para a Bahia buscar reforços com o apoio de Pedro Celestino, para acertar as contas com Morbeck. Este por sua vez pediu apoio, dinheiro e armas para o Governo federal alegando que iria combater a Coluna Prestes que passava por Mato Grosso.
Ao regressar da Bahia, as guerras entre o bando de Morbeck e o de Carvalhinho tirou a tranqüilidade da população do leste.
Com a posse de Mário Correa da Costa, a situação mudou, pois o novo governador afastou Carvalhinho e indicou como novo delegado do leste, Valdomiro Correa. Carvalhinho inconformado mudou o rumo dos seus ataques, agora queria acertar as contas com o governador. Assaltou quartéis, gerou pânico em Mato Grosso e ao ver cercado fugiu para Goiás, onde mais tarde foi capturado, preso e conduzido para a cadeia de Cuiabá.
“...Carvalhinho e seu bando permaneceram em Cuiabá até 1930, quando, com a “Revolução” getulista, são postos em liberdade. Este episódio: Morbeck x Carvalhinho representou um, dentre os muitos conflitos ocorridos na região leste mato-grossense. Os grupos se desfizeram, porém os resquícios de vingança e revide persistiram por muitos anos...” (Siqueira, Elizabeth Madureira. O Processo Histórico de Mato Grosso, p.182)
PRIMEIRA REPÚBLICA – CORNELISMO
Na História do Brasil, o período da Primeira República compreende os anos de 1889 até 1930. nesse período Mato Grosso esteve dividido em Oligarquias do Norte, que era composta por usineiros e proprietários de terra, e a Oligarquia do Sul, formada pelos comerciantes, pecuaristas e os empresários do mate.
Foi nesse período marcado por lutas pelo poder, grandes conflitos e guerras entre os coronéis e seus jagunços. Nesse período histórico tivemos como um dos maiores coronéis, o usineiros Totó Paes de Barros.
Totó Paes de Barros de destacou com a Política dos Governadores, que consistia em uma troca de favores entre pó governo central e as oligarquias estaduais.
Em 1898, aconteceu uma eleição estadual para escolha do Presidente de Mato grosso, então Generosos Paes Leme de Souza Ponce, apoioi João Félix Peixoto de Azevedo e Manoel Murtinho apoiou como seu candidato José Maria Metelo e nessas eleições sai como vencedor Peixoto de Azevedo e Murtinho não concordando com os resultados criou a Legião Campos Salles que tinha no comando Totó Paes, e seu objetivo era pressionar e invalidar as eleições.
Ocorreu outra eleição, e desta vez o vencedor foi Antonio Pedro Alves de Barros que era candidato apoiado de Murtinho. Como Totó Paes desenvolveu um bom comando a frente da Legião Campos Salles, ele também passou a ser o comandante da Divisão Patriótica que foi criada por Murtinho e Antonio Pedro com o objetivo de reprimir a oposição e garantir a tranqüilidade.
Totó Paes começou seus trabalhados com a perseguição de oposicionistas que se concentraram na Usina Conceição, de propriedade de João Paes de Barros, irmão de Totó Paes de Barros, e se localizavam em Rio Abaixo. Totó Paes de Barros em companhia de seus jagunços se deslocou até a região, fezo cerco armado a usina, pediram que os opositores se entregassem, e a seguir executou a prisão dos mesmos, porém, a Divisão Patriótica de Totó Paes voltou para Cuiabá sem os prisioneiros.
Logo, com a escassez das chuvas, a população descobriu na Baía do Garcez 17 ossadas, sendo revelada a chacina comandada pelo usineiro. Esse fato ocorreu em 1902 no governo do Presidente Campos Salles e Totó Paes ficou impune, se candidatou e venceu as eleições para governo do Estado.
REVOLTA DE 1906 Usina Itaici, de propriedade de Antonio Paes de Barros, o "Totó Paes".




Foi nesse episódio que registramos a decadência de Totó Paes de Barros fato que ocorreu entre 1902 e 1906 no Governo do Presidente Rodrigues Alves.
Totó Paes antes de ser Presidente de Mato Grosso praticava a Política dos Governadores e quando entrou no poder se esqueceu dos coronéis e seus aliados, se aliando somente ao Presidente Rodrigues Alves, achando que só o apoio do Presidente poderia garantir o seu poder.
Como conseqüência dessa traição, dois grupos inimigos se uniram para destruir Totó Paes de Barros, isto é, Generoso Ponce e os Murtinho. Apesar de ter sido aposição, a partir de 1902, Generoso Ponce se mudou para o Paraguai, onde criou o jornal “A Reação” que era distribuído em todo Mato Grosso e tinha como objetivo criticar e pressionar o governo de Totó Paes.
A partir de 1906, em Corumbá, Generoso Ponce e Murtinho aliaram-se e criaram “A Coligação” com objetivo de vir a Cuiabá para derrubar Totó Paes do governo estadual.
Durante a sua trajetória de Corumbá para Cuiabá, “A Coligação” invadiu as fazendas Pindaival de Henrique Paes de Barros e Itaici de próprio Totó Paes. Ao saber da Coligação, Totó Paes de Barros pediu ajuda ao Presidente Rodrigues Alves, que enviou a Expedição Dantas Barreto composta por 2.000 soldados armados e duas baterias de fogo. Supondo que Totó Paes aguardaria “A Coligação” no porto, esta resolveu entrar na cidade de Cuiabá pelo Coxipó da Ponte, e ao não encontrar resistência chegou até o centro da cidade. Totó Paes ao perceber que estava cercado pelo inimigo, resolveu retirar-se com um pequeno grupo para o Coxipo, onde aguardaria a chegada do reforço.
“...Generoso Ponce, com o controle da situação, escreveu a Totó Paes sugerindo-lhe que se rendesse, mas o governador resistiu. Diante da negativa, as forças da oposição abriram fogo..., pondo fim a resistência. Com a morte de Antonio Paes de Barros, o Governo Federal propôs decretar “estado de sítio” em Mato Grosso. Entretanto, o Congresso Nacional rejeitou a idéia, empossando Pedro Leite Ozório, então vice-governador”. (Cavalcante, Else. Mato Grosso e sua História, p. 94).
Em relação à Expedição Dantas Barreto, acabou chegando tarde demais e Leite Ozório governou até que ocorressem novas eleições, e foram eleitos Generoso Ponce e Pedro Celestino como seu vice.

12. COMISSÃO RONDON
A comissão Rondon teve como objetivo principal à construção das linhas telegráficas, a integração de Mato Grosso com o Brasil e com os países da América do Sul facilitando a comunicação e a expansão do capitalismo, uma vez que era necessária a ocupação dos “espaços vazios”.
A mão de obra utilizada era dos índios, dos presos civis capturados na Revolta da Vacina e da Chibata no Rio de Janeiro e dos soldados pobres de baixa patente. Além da exploração da mão de obra, esses trabalhadores enfrentaram a febre amarela, a varíola e outras doenças que acabaram por trazer muitas mortes durante a comissão. Tantas mortes não valeram nada, pois 20 anos após sua conclusão as linhas telegráficas foram abandonadas porque surge o telégrafo sem fio.
Segundo a ideologia positivista de Rondon, os índios deveriam sair o estado de selvageria para atingir a civilização. Em 1909, Rondon ficou doente e foi ao Rio de Janeiro para ser tratado. Na capital federal, Rondon encontrou o Presidente Nilo Peçanha, que criou o S.P.I (Serviço de Proteção do Índio). Essa instituição tinha a proposta de proteger os índios, evitando a sua escravidão, demarcar as suas terras e educá-los. Com a implantação da ditadura militar, a S.P.I foi extinta deixando um resultado totalmente ao contrário aos seus objetivos e em seu lugar foi criada a FUNAI – Fundação Nacional do Índio.

CAETANADA (1916)
Após a decadência de Totó Paes “A Coligação” de Generoso Ponce e dos Murtinho, se transformou no Partido Republicano Conservador (PRC), tendo como Presidente do Estado Generoso Ponce e seu vice Pedro Celestino.
Após algumas divergências Pedro Celestino afastou-se de Generoso Ponce e fundou um novo partido, o Partido Republicano Mato-grossense (PRMG), que tinha apoio dos Murtinho, proprietários da Companhia Mate Laranjeira.
Nas eleições de 1915, o PRMG enfrentou o candidato de Generoso Ponce Caetano Faria de Albuquerque, e perderam as eleições, pois o Partido Republicano Conservador era maioria na Câmara.
Ao tomar posse, Caetano formou o seu secretariado, escolhendo entre eles um representante do PRMG. Isto configurou como uma traição porque tinha sido eleito como o apoio dos Conservadores e de Generoso Ponce.
A partir desse fato, Generoso Ponce e seus aliados começaram a pressionar Caetano fazendo várias denúncias, e uma delas era a que o governador reduziu os impostos da borracha para beneficiar os produtores. Com toda essa pressão Caetano de Albuquerque pediu afastamento assumindo o vice-governador Manoel escolástico.
Algum tempo depois Caetano pretendeu voltar, mas, encontrou resistência tanto de Manoel Escolástico como dos Deputados que o apoiavam, então Caetano juntamente com os deputados aliados formaram um Governo paralelo. O Governo Federal ao saber da situação colocou Mato grosso sobre intervenção federal nomeando Camilo Soares de Moura, que não foi capaz de pacificar o confronto dos coronéis. Em seu lugar foi indicado côo interventor federal o Bispo de Cuiabá D. Aquino Correa.
Dom Aquino Corrêa
ECONOMIA MATOGROSSENSE PÓS-GUERRA DO PARAGUAI
POAIA
Também conhecida como Ipéca ou Ipecacuanha esta planta com o formato de um arbusto de aproximadamente 45 cm de altura, tem a sua raiz utilizada devidos as suas propriedades medicinais.
A poaia destacou-se na economia de Mato Grosso, a partir de 1860, logo na segunda metade do século XIX período em que ocorreu a Revolução Industrial na Europa.
A extração se dava na região oeste de Mato Grosso onde ela é nativa. Através do arrendamento de terras devolutas para empresários nacionais e estrangeiros extraiam a sua raiz sempre no período das chuvas. A seguir, esse produto do extrativismo vegetal era destinado ao mercado externo, mais especificamente a Europa, para atender as necessidades das indústrias farmacêuticas. Já no Brasil, esta raiz passou a ser consumida somente a partir da década de 40, com o desenvolvimento industrial promovido pelo governo Vargas.
No século XIX, a poaia era escoada para a Europa através da Bacia Platina, sendo que a mão de obra utilizada para sua extração era assalariada, mas baseada na produção e os trabalhadores recebiam tratamento escravista.
BORRACHA
O auge da extração o látex em Mato Grosso se deu a partir de 1870 com o avanço da industrialização. E, 1834, a borracha já passava pelo processo da vulcanização desenvolvida por Charles Goodyear e pelo processo de elasticidade e resistência desenvolvida por Hancoock.
Em Mato Grosso, a látex podia ser extraído tanto da seringueira, localizada na região norte (vale Amazônico), como da mangabeira, encontrada às margens dos Rios da Bacia Platina.
Ao contrário da poaia, a borracha era sempre extraída no período das secas, uma vez que o látex malhasse, ele não poderia ser coagulado (processo pelo qual ele passava antes de ser transportado).
O mercado consumidor da borracha era a Europa, e seu escoamento no século XIX ocorreu através da Bacia Platina. No século XX , o produto era escoado através da estrada de ferro Madeira-Momoré até o porto de Manaus.
A mão de obra utilizada na sua extração era assalariada, baseada na produção e com o tratamento escravista. A produção de borracha era realizada principalmente pelos nordestinos, que vieram trabalhar na extração da borracha com a promessa de uma vida melhor.
A decadência da produção ocorreu a partir de 1912, quando os ingleses levaram mudas da seringueira para a Ásia. O plantio obteve sucesso, e não demorou para que os asiáticos se tornassem o maior produtos mundial da extração do látex.
O governo brasileiro tentou reverter à situação, criando o “Plano de Defesa da Borracha”. Para isso tomou algumas medidas como incentivo da plantação de árvores, a isenção dos impostos para a importação de equipamentos que facilitassem a extração do látex. Mas estas tentativas não foram suficientes para colocar o Brasil novamente como líder mundial.
Durante o Governo de Getúlio Vargas, com os incentivos dados a indústria nacional, o látex passou a atender o mercado interno.
CANA DE AÇÚCAR
Em relação à cana de açúcar na História de Mato Grosso podemos descrevê-la em dois momentos. Primeiramente no século XVIII, quando o governo português interessado na mineração, proibiu a instalação dos engenhos. O governo alegou que a produção de aguardente trazia efeitos prejudiciais aos escravos, e que ao invés de minerar só queriam se dedicar à fabricação dela.
Os engenhos eram movidos por tração animal ou através de uma roda d’água, sendo encontrados em pequenas propriedades, e voltados para abastecer o mercado interno, como por exemplo, as Minas de Cuiabá.
Os engenhos se localizavam na região da Chapada (Serra acima) e nas margens do Rio Cuiabá (Santo Antonio do Rio abaixo). Os engenhos produziam rapadura, melado, açúcar e cachaça. No século XIX, temos o advento da Revolução Industrial e o surgimento das máquinas, os proprietários de terras importaram máquinas e instalaram as primeiras usinas.
Essas usinas se localizavam as margens do Rio Paraguai, sendo a que mais se destacou foi a Usina Ressaca, e nas margens do Rio Cuiabá (na região de Santo Antonio) sendo as que mais de destacaram foram as Usinas Itaicí, maravilha, Conceição.
As usinas se localizavam as margens dos rios devido a fertilidade do solo e a facilidade do escoamento da produção, pois nesse período a produção era escoada pela Bacia Platina e seu mercado consumidor era tanto o mercado interno como os países da América do Sul e outras províncias brasileiras.
A mão de obra utilizada nas Usinas era assalariada, baseado na produção e com tratamento escravista.
Os proprietários das usinas eram conhecidos como “Coronel” e as pessoas que trabalhavam nesta atividade eram chamados de “Camaradas”.
A usina mais importante com certeza foi a de “Itaicí”. Era de propriedade de Totó Paes de Barros, e chegou a pagar os seus trabalhadores com a sua própria moeda. Essa moeda era feita de cobre e recebia o nome de “Tarefa”. Esse fato demonstra a força política de seu proprietário, considerado um dos maiores coronéis da região, e chegou a ocupar o cargo de Presidente do Estado de Mato Grosso.
Os camaradas de Itaicí chegavam a trabalhar até 19 horas por dia no período das safras e eram castigados, humilhados pelo patrão. Na década de 30, com ascensão de Vargas, a sorte dos usineiros começou a mudar.
Getúlio Vargas empreendeu uma série de medidas que visavam destruir o poder destes coronéis. Uma destas medidas foi a criação do I.A.A. (Instituto do Álcool e do Açúcar). Com o objetivo de financiar a produção das usinas, o governo federal estabeleceu que somente os grandes produtores receberiam financiamento, e como Mato Grosso tinha uma pequena produção, os usineiros de MT faliram. Outra medida que enfraqueceu mais ainda o poder destes produtores de açúcar foi a cobrança das leis trabalhistas.
PECUÁRIA
A pecuária no século XVIII abastecia o mercado interno. O gado era criado solto, consequentemente era uma economia de baixa produtividade. A região que mais se destacou na criação do gado foi Vila Maria de Cáceres. Uma das fazendas mais importantes desse período foi a Fazenda Jacobina.
No século XIX, com a Revolução Industrial na Vila Maria de Cáceres esta começou a se destacar pelo surgimento das usinas de charque, sendo a mais importante a de Descalvado. Descalvado, localizada as margens do Rio Paraguai era uma saladeiro que foi construído com o capital belga e posteriormente foi vendido aos argentinos.
O escoamento do charque era feito através da Bacia Platina, e a mão de obra utilizada era assalariada. No entanto, o pagamento feito ao peão geralmente era em gado.
Durante o século XX, na Primeira República, com a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a pecuária floresceu principalmente na região sul de Mato Grosso. O gado era criado em MT e transportado pel estrada de ferro até Bauru e Uberaba, onde era abatido e beneficiado.
Com a pecuária, Corumbá se tornou local de instalação de grandes casas comerciais, em sua grande maioria estrangeiras. Ocorreu a valorização das terras nesse região, o aparecimento de cidades como Águas Claras e Três Lagoas, além do crescimento e desenvolvimento da região de Campo Grande, que passou a ambicionar o stratus de capital.
ERVA MATE
A erva mate é um produto do extrativismo vegetal rico em cálcio, magnésio, sódio, potássio e ferro. Era utilizada para descansar os músculos, atenuar a fome, tinha função diurética segundo os médicos e poder afrodisíaco. Era encontrada na região sul de Mato Grosso.
Em 1870, após a Guerra do Paraguai, Tomás Laranjeira, empresário de visão e tinha sido Secretário do Governo Imperial, usou da sua influência política para arrendar as terras do sul ricas em ervais. Com o arrendamento concedido, Tomas Laranjeira funda a Companhia Mate Laranjeira. Devido a sua influência foi fácil conseguir financiamentos e sócios com os irmãos Murtinha. Joaquim Murtinho era Ministra da Fazenda do Governo Campos Salles e Manoel Murtinho era Senador da República e Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Essa empresa desenvolveu tanto, que a sua renda era seis vezes mais que o valor da renda do Estado de Mato Grosso, por isso se dizia que a Mate Laranjeira era um “Estado dentro de outro Estado”.
A mão de obra utilizada era principalmente dos paraguaios, que estavam desempregados devido à guerra e entravam em Mato Grosso para trabalhar por qualquer salário. Os trabalhadores da era mate eram chamados de “Mineros” e eram assalariados, recebiam conforme a produção, porém o tratamento era escravista.
Para a repressão daqueles que não queriam trabalhar quase como escravos existia a polícia particular da Companhia que se denominavam “Comitiveros”, que demonstra o poder dos seus proprietários, uma vez que o segundo a legislação somente o Estado podia constituir Polícia.
A produção do mate era voltada principalmente para o mercado externo, sendo a Argentina o seu princiál comprador.
Em 1902, o Governo Campos Salles atravessou uma forte recessão, o Banco Rio e Mato Grosso faliu, as suas ações Cia Mate Laranjeiras foram colocadas a venda. O comprador foi Francisco Mendes, empresário argentino. Tal fato levou a empresa a mudar a sua razão social, e passou a ser chamada Laranjeiras, Mendes e Cia. Nesse momento Tomás Laranjeira ficou responsável pela extração em Mato Grosso e Francisco Mendes, pela sua industrialização, distribuição e venda na Argentina.
A decadência da empresa ocorreu na década de 30, quando Getúlio Vargas estimulou a produção de erva mate no sul, e o governo não concedeu um novo arrendamento de terras alegando que as terras usadas pela Cia Mate Laranjeira seriam usadas para promover a colonização no sul de Mato Grosso.
Além disso, a decadência da Companhia estava também associada a produção da erva mate em Corrientes e Missiones, assim a empresa perdeu o seu maior comprador.